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Soja
Para a safra 2025/26, a confirmação de uma produção recorde de soja no Brasil, estimada em 182 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 10 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, reflete a combinação de uma leve expansão da área plantada com condições climáticas favoráveis

Retorno dos fundamentos redefine o mercado de soja
Durante a primeira metade de 2026, os preços da soja foram fortemente influenciados pelo cenário geopolítico. A expectativa de que os Estados Unidos exportariam cerca de 20 milhões de toneladas de soja para a China na safra 2025/26 sustentou os níveis da CBOT, mas, por outro lado, exerceu pressão sobre os prêmios no Brasil. A esse contexto somou-se o conflito entre os EUA e o Irã, que resultou na elevação dos preços do petróleo e, consequentemente, no aumento dos preços dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja. Como resultado, as cotações na CBOT atingiram USD 12,20/bu em meados de março de 2026. Cabe destacar que, apesar do patamar mais elevado em CBOT, essa valorização não se traduziu em melhora dos preços em reais, que permaneceram relativamente estáveis, refletindo tanto a compressão dos prêmios quanto a valorização do real frente ao dólar.
Para a safra 2025/26, a confirmação de uma produção recorde de soja no Brasil, estimada em 182 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 10 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, reflete a combinação de uma leve expansão da área plantada com condições climáticas favoráveis. Além do forte desempenho do lado da oferta, as perspectivas de demanda também são robustas.
O RaboResearch projeta novos recordes para o consumo da oleaginosa. As exportações brasileiras de soja, entre janeiro e maio de 2026, segundo dados da Cargonave, registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior e deverão alcançar 113 milhões de toneladas no acumulado do ano, um incremento de 5 milhões de toneladas. Já no segmento de esmagamento, observa-se igualmente uma trajetória de expansão, sustentada pela melhoria das margens e pelo aumento da demanda por derivados.
No entanto, nas últimas semanas, com o avanço da safra norte-americana, os preços voltaram a ser predominantemente guiados pelos fundamentos de mercado. Nos Estados Unidos, o avanço do plantio, aliado às boas condições das lavouras, exerceu pressão sobre as cotações na CBOT, que registraram retração de aproximadamente 5% ao longo de junho de 2026 em comparação ao mês anterior.
Caso as condições climáticas nos EUA permaneçam favoráveis, é possível que os preços em CBOT sofram novas quedas no curto prazo. Ainda assim, após o início da colheita norte-americana, o mercado tende a redirecionar sua atenção para o clima na América do Sul, monitorando os potenciais impactos do El Niño sobre a safra brasileira de soja 2026/27.
Pontos de Atenção:
Apesar do atraso na elevação da mistura de biodiesel ao diesel, de 15% para 16%, as margens de esmagamento foram positivamente impactadas pela valorização do óleo de soja. No primeiro trimestre de 2026, o volume de soja esmagada no Brasil atingiu 14,3 milhões de toneladas, um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo diante da elevação dos fretes internos e de sinais de enfraquecimento da demanda chinesa, as exportações de soja permanecem bastante aquecidas. A competitividade da soja brasileira em relação a seus principais concorrentes se manteve elevada, mesmo em um cenário de apreciação do real frente ao dólar.
Descompasso entre CBOT e preços em reais
Preço em Chicago vs. Mato Grosso, junho 2024- junho 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2018/19 – 2026/27e





















