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Preenchimento da cota chinesa deve pressionar embarques com mercado futuro sinalizando pressão negativa nos preços do boi gordo a partir de Q3 2026

Projeção de queda nos embarques reduz demanda no campo
As exportações brasileiras de carne bovina até maio seguem renovando os recordes do ano anterior, impulsionadas por China e os EUA. No entanto, com a expectativa de preencher a cota chinesa ainda em junho, mesmo com a demanda americana sustentada, os volumes devem apresentar forte redução no 3°T de 2026. Isso se explica pela elevada concentração das exportações: China responde por 45% do volume total, enquanto os EUA, como segundo principal destino, representam cerca de 13% no mesmo período. Nos cinco primeiros meses do ano, foi registrado o maior volume da história para o período, totalizando 1,4 milhão de toneladas e USD 7,8 bilhões, altas de 15% e 35% na comparação anual, respectivamente.
A esperada redução das compras chinesas a partir de julho já se reflete no mercado, com recuo de cerca de 6% no preço do boi gordo no mercado futuro em julho (R$ 333/@) frente aos níveis atuais. Em resposta, autoridades brasileiras solicitaram, em maio, o redirecionamento de cotas não utilizadas pela Argentina, Uruguai e Nova Zelândia, que enfrentam limitações para expandir a oferta externa. Também foi proposta a exclusão dos cortes com osso das cotas, por serem de menor valor e impacto competitivo limitado com a produção local. Ainda assim, entendemos que qualquer flexibilização de cota não deve ocorrer no curto prazo, por se tratar de uma medida estratégica para proteger e testar o potencial competitivo da oferta chinesa.
Por outro lado, os embarques para os EUA devem continuar com oportunidades no 3°T de 2026, especialmente no comparativo anual. Isso porque a ausência atual da tarifa adicional de 50% aplicada em julho de 2025, deve manter a competitividade da carne brasileira. Além disso, a confirmação de ao menos 12 casos de New World Screwworm, somada à manutenção da suspensão das importações de gado em pé do México, reforça um cenário de oferta restrita e importações em alta no curto prazo. Soma-se a isso o perfil mais magro da carne brasileira, que atende à demanda da indústria local para blends na produção de hambúrgueres. O embargo aplicado pela UE a partir de setembro por conta do não cumprimento de normas sanitárias pelo uso de antimicrobianos também deve ser fator de pressão negativa nos preços do boi gordo no próximo trimestre.
Dados do IBGE indicam queda de 7% nos abates com relação ao 4°T de 2025, porém com relação ao 1°T de 2025 houve aumento de 3%. Com os dados do IMEA em maio apontando abates de fêmeas 9% menores no comparativo anual, entende-se que o atraso na recuperação da pastagem resultou em antecipação nos descartes de fêmeas. Nos confinamentos, a queda na demanda da China e da UE deve reduzir atratividade no 1° giro, deixando para o 2° giro diante da expectativa de retorno da China. Com isso, se confirma a tendência de inversão na curva de preços do boi, com cotações mais baixas no 2°S de 2026 em relação ao 1°S.
Pontos de Atenção:
Alta probabilidade de retorno do El Niño deve manter setor produtivo em alerta pelos riscos de impacto na recuperação das pastagens e na produtividade da safra de grãos durante o segundo semestre.
Mesmo sem flexibilização da cota chinesa, volume de exportação deve melhorar entre outubro e novembro, considerando o tempo de frete e renovação da cota a partir de janeiro 2026
Alta do boi gordo pode ter atingido seu limite no ano
Indicador de preços do boi gordo

Exportações brasileiras acumuladas de carne bovina





















