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Cana, Açúcar e Etanol
O preço de etanol despencou em abril e maio, deixando o etanol altamente competitivo nas bombas, mas pouco rentável nas usinas. O mercado de açúcar já olha para frente para qualquer impacto de El Niño nas safras asiáticas.

Vai (de etanol) Brasil!
Enquanto o preço internacional de açúcar continua oscilando entre 14 e 15 US c/lp, com a moagem no centro-sul passando de início até operando a pleno vapor, o etanol tem sido o foco de atenção no segundo trimestre de 2026.
Entre o final de março e o início de junho, o preço ESALQ de etanol hidratado acumulou uma queda de 24%, de R$2,90/litro para perto de R$2,20/litro. No mesmo período, o preço médio do hidratado na bomba (estado de São Paulo) caiu 14%, de R$4,52/litro para R$3,88/litro, enquanto o preço da gasolina na bomba (SP) cedeu 3%, resultado de queda do preço de etanol anidro e da compensação quase total que a subvenção de R$0,44/litro implementada pelo governo representa frente ao aumento do preço ex-refinaria da Petrobras de R$0,48/litro anunciado em 28 de maio.
Tudo isso levou a relação do preço hidratado/gasolina na bomba (SP) de 67,6% no final de março para 60,1% no início de junho, deixando o etanol altamente competitivo na bomba, mas pouco rentável para produtores, dada a combinação do preço atual da gasolina e um aumento de oferta de etanol de 4,3 bi litros previsto para 2026/27. RaboResearch estima que precisa-se de uma relação de preços média de 63% (base SP) neste ano-safra para equilibrar o mercado de etanol.
A queda brusca do preço do etanol levou-o à paridade de preço com o açúcar, que, por sua vez, continua sob a pressão de expectativas de excedente de oferta nos próximos meses.
Olhando adiante, um ponto positivo é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. Essa medida deve ser aprovada pelo CNPE ainda em junho, com implementação prevista a partir de julho. Com a elevação para 32%, a demanda por etanol tende a crescer. Além disso, a necessidade de importação de gasolina deverá diminuir, tanto pela substituição na mistura obrigatória quanto pelo ganho de participação de mercado esperado para o etanol hidratado, dado seu preço competitivo.
No caso do açúcar, a possibilidade de um El Niño intenso no 2° semestre introduz incertezas quanto às perspectivas de produção na Ásia, especialmente na Tailândia e na Índia. Mais adiante, a provável persistência de preços elevados para diesel e fertilizantes — mesmo em um cenário de término imediato do conflito no Oriente Médio — pode resultar em uma redução generalizada nos tratos culturais ao redor do mundo, impactando negativamente as safras de 2027.
A projeção preliminar do RaboResearch para o balanço global de açúcar em 2026/27 (out/set) não incorpora ajustes para esses fatores, mas, ainda assim, aponta para um déficit de 1,1 milhão de toneladas. Embora isso não sugira alívio significativo para preços e margens no curto prazo, serve como lembrete de que ainda há espaço para mudanças relevantes de perspectiva.
Pontos de Atenção:
O 3° trimestre do ano representa o pico da moagem e da produção de açúcar e etanol no centro-sul. Dada a posição do Brasil como maior exportador de açúcar no mundo, a perspectiva nos próximos meses é para a preço internacional de açúcar ficar próximo à paridade com o etanol.
Produtores de cana em Tailândia, o 2° maior exportador de açúcar no mundo, têm visto o preço de cana cair em torno de 40% ao longo das últimas duas safras - uma perda de área para a próxima safra é possível. Além disso, a precipitação até abril tem sido baixa, e um El Niño moderado ou intenso no 2° semestre poderia impactar a produtividade agrícola.
Etanol e açúcar chegam à paridade
Preços de açúcar e etanol junho 2024 – junho 2026

Balanço oferta/demanda de açúcar no mundo, 2017/18 – 2026/27p





















