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Em relação ao último relatório, o RaboResearch elevou em 1 milhão de toneladas a estimativa para a safra de milho, projetando uma produção total de 138 milhões de toneladas.

Entre uma safra robusta e custos logísticos maiores
Em relação ao último relatório, o RaboResearch elevou em 1 milhão de toneladas a estimativa para a safra de milho, projetando uma produção total de 138 milhões de toneladas. Essa revisão reflete, sobretudo, as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do milho safrinha em Mato Grosso, que compensaram parcialmente perdas de produtividade em outros estados.
Além da revisão positiva na produção, a valorização do real frente ao dólar configura-se como um fator relevante que pode limitar a competitividade das exportações brasileiras do cereal. Esse movimento ocorre em um contexto de intensa concorrência internacional, especialmente por parte do milho norte-americano e argentino, o que tende a restringir o ritmo dos embarques brasileiros ao longo de 2026. Nesse cenário, as exportações deverão alcançar cerca de 39 milhões de toneladas, representando uma redução de aproximadamente 3 milhões de toneladas em relação ao volume exportado em 2025.
Adicionalmente, o aumento superior a 10% nos custos de frete rodoviário observado durante o primeiro semestre de 2026 pode exercer pressão adicional sobre os preços recebidos pelos produtores, ao mesmo tempo em que tende a desacelerar o ritmo de comercialização do cereal.
Esse encarecimento logístico também pode favorecer uma maior retenção do milho no mercado doméstico, estimulando a aquisição por parte dos consumidores internos em detrimento das vendas destinadas ao
mercado externo.
Diante desse conjunto de fatores, que inclui maior oferta, restrições nas exportações e pressões relevantes no segmento logístico, os preços do milho registraram, no último mês, uma queda de aproximadamente 2% em relação ao período anterior, refletindo o ajuste do mercado a essa nova conjuntura de oferta e demanda.
Enquanto se projeta uma leve retração no volume exportado em 2026, o consumo doméstico de milho deverá manter uma trajetória de crescimento consistente. Tanto o setor de proteína animal quanto a indústria de etanol devem apresentar incrementos na demanda ao longo deste ciclo. Como resultado, o consumo total está estimado em aproximadamente 97 milhões de toneladas, o que representa um aumento de cerca de 5% em comparação com o ano anterior.
Por fim, a confirmação de uma safra robusta poderá exercer pressão adicional sobre os preços internacionais, que tendem a permanecer mais sensíveis às variações cambiais e ao cenário macroeconômico global.
Pontos de Atenção:
De acordo com o IMEA, a colheita do milho safrinha em Mato Grosso alcançou 11%, ficando ligeiramente abaixo da média histórica, porém 4 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano passado.
As massas de ar polar que avançam sobre o Centro-Sul do Brasil têm provocado geadas localizadas e temperaturas negativas em áreas produtoras, especialmente nos estados do Paraná e Santa Catarina.
Pressão de safra leva à queda nos preços
Preços em Chicago vs. Campinas, junho 2024 – junho 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2018/19 – 2026/27e





















