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Vemos o dólar a R$ 5,35 no fim de 2026, pressionado por riscos geopolíticos, fiscais e eleitorais e um cenário de juros mais altos nos EUA. O diferencial de juros ainda elevado e termos de troca mais favoráveis tendem a amortecer a depreciação do real.

Riscos geopolíticos ainda persistem e políticas monetárias começam a pesar
O acordo entre os EUA e Irã avançou, com assinatura formal, provocando uma melhora no apetite a risco e queda no preço de petróleo. Ainda assim, o entendimento é preliminar (memorando de 60 dias) e há incertezas relevantes sobre seus termos, sobretudo quanto à questão nuclear e sanções ao Irã. A reabertura do Estreito de Ormuz segue como cenário-base, mas com dúvidas sobre o timing e governança. Além disso, o Fed tem novo presidente e não parece que ele cortará juros tão cedo. Assim, o RaboResearch espera que o Fed mantenha as Fed funds inalteradas entre 3,50%-3,75% até o fim de 2026.
No âmbito doméstico, o PIB (1°T de 26) cresceu 1,1% t/t (1,8% a/a), marcando temporária retomada após três trimestres mais fracos. Pelo lado da oferta, destaque para serviços (+0,5% t/t), e pela demanda, para consumo das famílias (+1,0% t/t). Mantemos projeção de crescimento de 1,8% em 2026, mesmo com os anúncios recentes em estímulos fiscal/crédito, com riscos equilibrados diante de incerteza externa elevada e juros domésticos mais restritivos que o esperado no início do ano.
O cenário inflacionário passou a gerar maior preocupação após o início do conflito no Oriente Médio, revertendo a trajetória benigna observada no começo do ano. O IPCA acelerou de 3,8% a/a em fevereiro para 4,7% a/a em maio, pressionado, principalmente pelos preços administrados, que subiram de 4,4% para 5,8% a/a. Os preços livres também ganharam força, avançando de 3,6% para 4,3% a/a, com contribuição adicional de itens de alimentos in natura. Projetamos o IPCA em 5,1% ao fim de 2026.
O Copom reduziu a Selic em 25 pb em junho de 2026, para 14,25%, em linha com o esperado, mantendo o forward guidance em aberto graças a um ambiente mais arriscado, com atividade doméstica aquecida, inflação acima do teto da banda, com o balanço de riscos pressionado por conflitos no Oriente Médio, choques climáticos em alimentos e energia e estímulos fiscais que podem reduzir a potência da política monetária. O Comitê condicionou os próximos passos à evolução dos dados. Mantemos, por ora, a expectativa de novo corte de 25 pb na próxima reunião, com ciclo de afrouxamento dependente do cenário, adotando viés de alta em nossa projeção da Selic em 13,25% no fim de 2026.
O dólar se fortaleceu com a maior aversão a risco e a reprecificação de juros nos EUA, mantendo viés sustentado apesar de algum alívio com o cessar-fogo. O real, por sua vez, foi suportado por termos de troca e juros elevados, mas devolveu parte dos ganhos recentemente diante do dólar global mais forte e maior percepção de risco local. Projetamos que o dólar chegue a R$ 5,35 no fim de 2026.
Pontos de Atenção:
Como vetores de apreciação do real brasileiro frente ao dólar, diferencial de juros ainda elevado, apesar dos cortes na taxa Selic, possibilidade aumento das exportações, por conta do aumento do preço do petróleo.
Como vetores de depreciação do real brasileiro frente ao dólar, riscos geopolíticos podem afetar crescimento global, uma visão mais “hawk” do Fed, dúvida quanto à fraca e lenta consolidação fiscal doméstica diante de incerteza eleitoral.
Vemos o dólar voltando a 5,35 em 2026
Projeção do dólar (BRL/USD)





















