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Queda de arábica e avanço da robusta marcam o cenário atual de café. Com a colheita, expectativa é de ajuste gradual no mercado.

Arábica recua, robusta avança e o mercado global pressiona o setor
A colheita avança de forma consistente na maior parte das regiões produtoras de café arábica e robusta (conilon). Devido às condições climáticas favoráveis, observa-se um bom ritmo dos trabalhos. Apesar de chuvas pontuais em algumas localidades, não há impactos relevantes sobre a qualidade dos cafés em processo de secagem nos terreiros.
No início da colheita, alguns produtores reportaram rendimentos abaixo do esperado, comportamento típico dessa fase. Com a evolução dos trabalhos, a expectativa é de normalização do rendimento, considerando o regime de chuvas observado ao longo da safra.
Adicionalmente, destaca-se que este período do ano é historicamente marcado pela ocorrência de eventos isolados de granizo em regiões cafeeiras. Episódios pontuais foram registrados em municípios do Sul de Minas, como Boa Esperança e Campo do Meio, com impactos localizados e sem relevância até o momento.
Nos últimos meses, os preços do café arábica e do robusta vêm registrando quedas consecutivas, pressionados pela expectativa de uma grande safra brasileira. O RaboResearch estima a produção total no Brasil de 73,3 milhões de sacas (60 kg), sendo 46,7 milhões de arábica e 26,6 milhões de robusta.
No mercado futuro, o contrato C de café arábica com vencimento em julho de 2026 apresentou desvalorização de 16,5%, recuando de patamares próximos a USD 2,40/lb para cerca de USD 2,00/lb. Em contrapartida, o contrato de robusta negociado em Londres, com o mesmo vencimento, mostrou maior resiliência, com leve queda de 2,4%, passando de aproximadamente USD 3.800/t para a faixa de USD 3.700/t. No mercado físico, os preços do robusta também registraram recuo.
Em termos de comércio exterior, as exportações de café arábica totalizaram 2,12 milhões de sacas em maio, uma queda de 5,9% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, a retração foi ainda mais acentuada, atingindo 11,9%.
Por outro lado, o café robusta apresentou dinâmica oposta. Em maio, foram exportadas 601 mil sacas, avanço de 21,0% em comparação a abril. Em relação a maio de 2025, o crescimento foi expressivo,
atingindo 195%, sinalizando uma forte recuperação das exportações desse segmento.
Esse movimento nas exportações indica uma mudança na composição dos blends internacionais de café, com maior direcionamento ao café robusta. No entanto, com a desvalorização do café arábica e com a chegada da safra, o café arábica tende a retomar seu espaço nos blends. Os principais destinos do café arábica são países europeus como Alemanha, seguidos dos Estados Unidos em segundo lugar, já os principais destinos do café robusta brasileiro até o momento, é a Colômbia, México e Reino Unido.
Pontos de Atenção:
Em 1º de junho de 2026, os Estados Unidos anunciaram a possibilidade de elevação da tarifa de importação sobre o café solúvel, atualmente em 10%, para 25%. A medida ainda não foi confirmada e permanece em discussão. Caso venha a ser implementada, poderá gerar impactos relevantes para a indústria brasileira de café solúvel, especialmente em termos de competitividade.
Dados do Cecafé apontam retração de 17,2% nas exportações de café brasileiro para os Estados Unidos na comparação entre abril e maio de 2026. Na comparação anual, maio de 2026 registrou queda ainda mais acentuada, de 25,2% frente a maio de 2025.
Mercado global pressiona o setor
Preços de café ICE NY - Londres Maio 2023 – Maio 2026

Exportação de café - Brasil 2024 – 2026





















