Índice
Este artigo faz parte de:
Rabobank Agroinfo Março 2026Pesquisa
Leite
Os preços do leite ao produtor e dos derivados devem manter a tendência de recuperação ao longo do primeiro semestre, impulsionados pela desaceleração da oferta e pela retomada gradual da demanda.

Preços devem continuar em recuperação
RaboResearch estima que a produção brasileira de leite no campo fechou 2025 com alta de aproximadamente 6,8%, representando o maior crescimento interanual desde 2010. Custos sob controle, margens positivas especialmente na primeira metade do ano, condições climáticas favoráveis e investimentos no elo primário da cadeia permitiram alcançar esse forte avanço na produção.
No entanto, a demanda interna não apresentou expansão significativa ao longo do ano, em razão das pressões inflacionárias que limitaram o aumento do consumo de alimentos no Brasil. Como consequência, os preços na cadeia láctea passaram por uma forte correção ao longo de nove meses. Iniciado em março de 2025, o movimento levou o preço ao produtor de níveis acima de R$ 2,80/litro para cerca de R$ 2,00/litro em dezembro. Essa correção acentuada reduziu de forma significativa as margens dos produtores e já sinaliza uma forte desaceleração na produção primária. Dados do Milkpoint Mercado mostram que 2026 começou com o menor índice de rentabilidade ao produtor, medido pelo RMCA (receita menos custo de alimentação). O indicador atingiu R$ 22,50/vaca/dia em janeiro de 2026, o menor patamar desde 2022. Diante desse cenário, a produção deve apresentar crescimento limitado na primeira metade de 2026.
Com relação aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o setor, o aumento dos preços do diesel e dos fertilizantes tende a pressionar negativamente os custos do produtor global no curto e médio prazo. Do lado da demanda, cerca de 7% das exportações de lácteos da União Europeia em 2025 tiveram como destino países do Golfo Pérsico, enquanto para a Nova Zelândia essa exposição foi de 6%. Nos Estados Unidos, apenas 3% das exportações lácteas foram direcionadas aos países diretamente afetados pelo conflito, e no Mercosul essa participação foi de apenas 0,5%. Em resumo, os impactos sobre a demanda global por lácteos devem ser limitados, sendo os efeitos mais relevantes do conflito concentrados na alta dos insumos.
No Brasil, o consumidor também começa a sentir reflexos do cenário geopolítico, refletidos na alta dos combustíveis, no potencial aumento da inflação nos próximos meses e na manutenção de taxas de juros elevadas por mais tempo. Embora as expectativas indiquem que a taxa de desemprego deve permanecer em níveis baixos, preocupa o elevado endividamento das famílias e a limitada recuperação do poder de compra. Ainda assim, os preços mais baixos dos lácteos devem favorecer uma recuperação moderada da demanda e dos preços no primeiro semestre de 2026.
Pontos de Atenção:
Nos últimos 12 meses (Fev 2025 – Jan 2026) as importações recuaram 7,4% em volume, e a tendencia de queda deve continuar no primeiro semestre de 2026.
Apesar das margens sob pressão, os grandes produtores (acima de 10.000 litros/dia) continuam em ritmo de crescimento elevado no Brasil com investimentos e preço ao produtor acima da média.
Preços iniciam recuperação
Leite UHT no varejo em SP (deflacionado)

Preço líquido pago ao produtor (deflacionado)






















