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Cana, Açúcar e Etanol

27 março 2026 17:02 RaboResearch

O conflito no Oriente Médio chacoalhou o tabuleiro. O preço Nova Iorque já subiu enquanto o mercado espera ver a reação do preço da gasolina no Brasil

Intro

Conflito no Oriente Médio chacoalha o tabuleiro

A chacoalhada que o conflito no Oriente Médio gerou no petróleo chegou ao mercado de açúcar. O preço em Nova Iorque (maio/26) fechou acima de 15,5 USD c/lp no dia 20 de março, enquanto a tela de março/27 bateu 16,8 USD c/lp.

Parte desse aumento pode ser atribuída à redução da posição líquida vendida que os fundos acumularam ao longo de 2025, interpretando a elevação do preço do petróleo como gatilho para uma recuperação do preço do açúcar. Mais adiante, voltamos para avaliar essa tese. A revisão para baixo das estimativas do tamanho da safra indiana também pode ter criado um impulso positivo para o preço. Com o novo tabuleiro, será que o pior já passou?

Apesar desses fatores turbinarem o mercado no momento, o conflito traz desafios que podem frear o avanço do preço. Enquanto o Estreito de Ormuz continuar fechado, as importações pelos Emirados, Iraque e pelo próprio Irã, que juntos respondem por 9% das importações globais de açúcar bruto, vão diminuir. Parte da demanda regional pode ser perdida. E navios indo para o Golfo terão que achar outros destinos. Enquanto isso, frete oceânico e seguro mais caros vão elevar os custos para importadores ao redor do mundo.

Mas a pergunta de um bilhão de dólares é se o preço da gasolina no Brasil esteja ou não influenciado pela elevação do preço internacional de energia. Nos anos recentes, o Brasil importou entre 10% e 15% do seu consumo de gasolina, com o restante sendo produzido nas refinarias nacionais. 80% da capacidade de refino do país está nas mãos da Petrobras, enquanto o setor privado responde por 20%. Embora o preço ex-refinaria da gasolina da Petrobras não tenha reagido até 24 de março, o setor privado, sejam refinarias ou importadores, já implementou ajustes nos seus preços. E o preço nas bombas já reagiu, com o preço médio nacional subindo 6%.

No caso do diesel, cujas importações respondem por 25% a 30% do consumo local, a Petrobras já aumentou o preço ex-refinaria em 11,5% no dia 14 de março, mas o governo também anunciou medidas (como a zeragem dos impostos PIS/COFINS) para suavizar o impacto nas bombas. Qualquer decisão do governo ou da Petrobras que altere o preço da gasolina na bomba terá consequências relevantes para o mercado de açúcar. Um preço maior para a gasolina na bomba apoia o preço do etanol, elevando seu valor relativo ao açúcar e influenciando o mix dos produtos. Elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina C, para reduzir a necessidade de importações de gasolina, também criaria apoio ao preço do etanol, pela redução do volume de etanol hidratado disponível no mercado.

Pontos de Atenção:

    Com o início geral da safra esperado para a 1ª quinzena de abril, além das incertezas sobre os preços de açúcar, gasolina e etanol, as perspectivas para as margens em 2026/27 também dependerão da evolução dos preços de insumos relevantes como diesel e ureia, ambos no olho do furacão como consequência do conflito no Oriente Médio. O Rabobank estima que elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina C de 30% para 32% em 2026/27 reduziria o uso de gasolina A em 1,2 bilhão de litros em comparação com 2025/26. Também reduziria o desconto médio do preço do etanol hidratado na bomba relativo à gasolina em cerca de 2%.

Conflito chacoalha o tabuleiro

Preços de açúcar e etanol março 2024 – março 2026

Cana
Fonte: Bloomberg

Balanço oferta/demanda de açúcar no mundo, 2016/17 – 2025/26p

Cana1
Fonte: ISO, Rabobank
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Março 2026

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