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27 março 2026 17:02 RaboResearch

A recomposição moderada dos estoques globais ao final da safra 2025/26, estimada em 4%, tende a reforçar a pressão sobre os preços internacionais da pluma.

Intro

Menos área, menos pluma e mais riscos à frente

A produção brasileira de pluma na safra 2024/25 atingiu um novo recorde de 4,1 milhões de toneladas, um aumento de 350 mil toneladas em relação ao ciclo anterior. Embora o início da temporada tenha sido marcado por um ritmo mais lento de embarques, o cenário mudou a partir do último trimestre de 2025, impulsionado sobretudo pelo crescimento das vendas para a China. Os embarques destinados ao mercado chinês avançaram 38% no acumulado de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. A ampla disponibilidade interna também favoreceu o desempenho das exportações totais, que somaram 2,0 milhões de toneladas no mesmo intervalo, resultado 4,5% superior ao observado um ano antes.

No mercado internacional, o petróleo registra alta acumulada de 42% desde dezembro do ano anterior, enquanto as cotações da pluma em NY mostram apenas 1% de avanço, indicando reação contida da fibra natural. Além de elevar os custos logísticos, o agravamento das tensões envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã aumentou a incerteza global, com potencial para reduzir o consumo de fibras e afetar negativamente os embarques brasileiros. Vale notar que, mesmo antes do atual quadro geopolítico, já não se antevia expansão relevante do consumo.

Nesse ambiente, apesar da forte valorização do poliéster, que aumentou 16,3% na última semana em função da elevação dos preços do petróleo, insumo-chave da fibra sintética, não se espera uma migração relevante da demanda para o algodão. O quadro macroeconômico, ainda pressionado pela inflação e pela perda de poder de compra, limita o consumo global de têxteis e reforça esse comportamento. Ao mesmo tempo, projeta-se uma recomposição moderada dos estoques globais ao final da safra 2025/26, com crescimento estimado de 4%, o que adiciona pressão adicional sobre os preços internacionais da pluma.

Diante desse cenário, a safra 2025/26 deve registrar redução de 3% na área destinada à cotonicultura no Brasil. A produção, estimada em 3,8 milhões de toneladas, refletirá tanto a diminuição da área cultivada quanto a normalização dos níveis de produtividade. O efeito combinado desses fatores resultará em uma queda de aproximadamente 7% na oferta de pluma em relação ao ciclo anterior. No entanto, vale destacar que a produção ainda depende das condições climáticas. Ainda assim, não se projeta uma recuperação expressiva de preços no curto prazo, em razão do elevado nível de incerteza geopolítica, do enfraquecimento do consumo global e da recomposição dos estoques internacionais.

Pontos de Atenção:

    Diante da sazonalidade das exportações de pluma e do recente aumento nos custos de frete marítimo e seguros, espera-se uma retração nos embarques de pluma ao longo dos próximos meses.

    De acordo com o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), a comercialização da pluma em Mato Grosso alcançou 59%, um aumento de 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Demanda pode ser impactada por incerteza

Preço em Nova Iorque (NY) vs. Mato Grosso, março 2024 – março 2026

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Fonte: Bloomberg 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2017/18 – 2025/26e

Algodão1
Fonte: USDA 2026
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Março 2026

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