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Exportações recordes impulsionam alta no preço do boi gordo enquanto abates caem e consumo doméstico segue pressionado.

Exportações recordes desafiam equilíbrio da oferta local
As exportações brasileiras de carne bovina seguem superando os recordes do ano anterior, impulsionadas pelo aumento da demanda da China e dos EUA, diante de um cenário de redução na oferta global. Em fevereiro, o Brasil exportou cerca de 267 mil toneladas, o maior volume já registrado para o período, superando a marca histórica do ano anterior em 23%. O faturamento teve crescimento ainda mais expressivo, de 39% no mesmo período, totalizando USD 1,4 bilhão. Nos dois primeiros meses do ano, tanto o volume quanto o faturamento acumulado foram recordes, com 526 mil toneladas e USD 2,8 bilhões, altas de 24% e 39%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Os impactos do conflito no Oriente Médio têm se limitado, até o momento, a questões operacionais (atrasos) e financeiras (frete mais caro e multas.
China e EUA seguem como os principais destinos, respondendo por 43% e 13% do volume, respectivamente. Vale destacar que a queda na participação da China nos embarques totais, mesmo com o forte aumento de 32% nas compras nos dois primeiros meses, se deve à maior demanda de países como México, Rússia, Chile e União Europeia.
Na prática, o anúncio da criação da cota de 70 mil toneladas pelo México, em janeiro (já atingida), não tem causado grandes restrições às exportações brasileiras. Mesmo com a tarifa de 20% já vigente, a alta competitividade da carne brasileira, somada à intenção dos mexicanos de reduzir a dependência dos EUA, em um cenário de aumento esperado do consumo devido à Copa do Mundo, tem permitido o crescimento das exportações.
No mercado chinês, enquanto o monitoramento mensal dos embarques ainda não é confirmado pelo governo, os volumes negociados têm sido os maiores da história para o período. Isso reflete o ambiente de antecipação dos importadores, que buscam adquirir o máximo possível antes de atingir a cota. Porém, vale ressaltar que, com a negativa da China de não considerar na cota atual os volumes embarcados em 2025, em apenas dois meses já foi preenchido cerca de 1/3 da cota de 1,1 milhão de toneladas, o que pode resultar em choque de demanda e pressionar preços no segundo semestre.
Pelo lado da oferta, a queda nos abates tem sido mais intensa neste início de ano. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam que, em fevereiro, os abates caíram 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo que os machos tiveram redução de 10% e as fêmeas de 8%, o que reforça a inversão do ciclo pecuário para um período de menor oferta. Para os próximos meses, os fundamentos apontam para a manutenção da tendência de alta nos preços tanto do boi gordo quanto do bezerro, especialmente diante da queda esperada nos abates.
Pontos de Atenção:
Fim do período das chuvas e piora na qualidade da pastagem deve trazer pressão temporária no lado da oferta o que pode impactar na tendência de alta nos preços do boi gordo
Evento da Copa do Mundo de futebol deve ser fator de incremento temporário tanto na demanda doméstica como nos países sede, principalmente EUA e México.
Menor oferta impulsiona preços boi gordo
Indicador de preços do boi gordo

Exportações brasileiras acumuladas de carne bovina






















