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Soja

27 março 2026 17:02 RaboResearch

No mercado doméstico, os desafios permanecem. A perspectiva de uma safra recorde de 181 milhões de toneladas e o aumento do diesel, refletido no frete, têm reduzido o valor ofertado ao produtor em 2025/26.

Intro

Soja em 2025/26: alta externa, pressão interna

Desde dezembro do ano passado, os preços da soja na CBOT acumularam alta de 10%, enquanto as cotações em Reais recuaram 12%. O avanço em Chicago foi impulsionado sobretudo pelo anúncio do governo americano, no início de fevereiro de 2025, indicando que os Estados Unidos exportariam 20 milhões de toneladas de soja para a China, além do agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o preço do petróleo e fortaleceu o mercado internacional de óleo de soja.

Apesar desse suporte, o cenário pode mudar. Caso os embarques norte‑americanos para a China ocorram em volumes menores que o projetado, ou se o conflito no Oriente Médio perder intensidade, parte das altas recentes tende a ser corrigida. A relação entre Estados Unidos e China segue como fator determinante para o comportamento da CBOT, especialmente pelo efeito direto sobre os estoques norte‑americanos.

No Brasil, o ambiente doméstico apresenta desafios adicionais. A expectativa de uma safra recorde de 181 milhões de toneladas, somada ao aumento do preço do diesel e ao consequente impacto no frete, tem limitado o valor ofertado ao produtor na safra 2025/26.

O cenário atual difere do ciclo anterior: embora a CBOT estivesse mais baixa, o prêmio de exportação e o câmbio sustentavam os preços internos. Em 2025/26, mesmo com Chicago mais firme, esses fatores deixaram de contribuir, pressionando as cotações em Reais no mercado físico.

Os fundamentos globais também reforçam um viés de baixa. Segundo o USDA, este será o quarto ano consecutivo de aumento dos estoques mundiais de soja, e a expectativa de ampliação da área cultivada nos Estados Unidos tende a adicionar pressão sobre Chicago. Ainda assim, o ambiente geopolítico envolvendo Estados Unidos, China e Irã tem aumentado a volatilidade, alterando temporariamente a dinâmica tradicional de formação de preços. Esse contexto amplia a possibilidade de que quebras de safra, restrições de oferta ou episódios de tensão internacional exerçam influência significativa ao longo do período, gerando oscilações adicionais.

O que se vê é uma reorganização dos fluxos globais da oleaginosa, na qual a geopolítica ganha protagonismo e a competitividade entre soja brasileira e norte‑americana passa a ter papel secundário. Além disso, o custo elevado dos fretes deve reduzir o preço ofertado ao produtor nas principais regiões produtoras, pressionando as margens para 2025/26.

Pontos de Atenção:

    A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou os preços do óleo de soja, o que acabou melhorando as margens de esmagamento no Brasil. O RaboResearchestima um volume total de 60,5 milhões de toneladas esmagadas na safra 2025/26, um aumento de 2,5 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Em março de 2025, conforme previsto pela Lei do Combustível do Futuro, estava programado o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% para 16%. Embora a implementação tenha sido adiada, ainda se espera que o novo percentual seja adotado ao longo deste ano e a elevação do custo do diesel pode acelerar um novo incremento da mistura obrigatória.

Desconexão entre CBOT e preços em reais

Preço em Chicago vs. Mato Grosso, março 2024- março 2026

Soja2
Fonte: Bloomberg 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2017/18 – 2025/26e

Soja1
Fonte: USDA 2026
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Março 2026

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