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Vemos o dólar a R$ 5,55 no fim de 2026, com tensões geopolíticas e incertezas fiscais e eleitorais pressionando o real. Apesar dos cortes na Selic, o diferencial de juros elevado pode amortecer riscos negativos ao real.

Riscos geopolíticos colocam corrida eleitoral em segundo plano
O primeiro trimestre foi marcado pelo conflito entre EUA, Israel e Irã, sem sinais de término, com o bloqueio do Estreito de Ormuz impactando o fluxo global de petróleo (Energy at the Edge), gás natural, fertilizantes e outros insumos (p. ex. Hélio), elevando preços de energia e riscos inflacionários. A IEA considera isso a maior interrupção de petróleo da história, intensificando a incerteza sobre o crescimento econômico global. Nos EUA, o Fed manteve as taxas inalteradas devido à incerteza econômica, enquanto o Rabobank passou a prever dois cortes de juros (setembro e dezembro), em vez de três antes.
Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, abaixo dos 3,4% de 2024, devido ao aperto da política monetária e à menor expansão fiscal, que impactaram a demanda e a oferta. Apesar das incertezas do conflito no Oriente Médio, mantemos projeção de crescimento de 1,8% em 2026, com efeitos da política monetária restritiva, apesar da redução das taxas de juros, medidas fiscais de ano eleitoral que podem mitigar a desaceleração, e efeito positivo de exportações sendo o Brasil um exportador líquido de petróleo.
O IPCA fechou 2025 em 4,3% a/a, dentro do intervalo de tolerância. Antes do conflito no Oriente Médio, a inflação mostrava arrefecimento devido ao câmbio apreciado e commodities benignas, mesmo com resiliência de inflação de serviços. Com um cenário de preço do petróleo em que o barril atinge US$100 no 2T26 mas US$90 em 4T26, ajustamos nossa projeção para que o IPCA de 4,1% no fim de 2026 a 4,4%.
O Copom cortou a Selic para 14,75% em março, motivado pela desaceleração da atividade econômica. A decisão foi tomada em meio a incertezas sobre o conflito, levando o Copom a não fornecer guidance e a aguardar dados para verificar efeitos secundários nos preços. Por agora, cremos que a Selic chegue a 12,50% no fim de 2026, a depender do cenário do conflito.
A escalada das tensões geopolíticas geralmente leva investidores a buscar ativos seguros, como o dólar, embora o impacto negativo sobre o real tenha sido modesto. Externamente, o Fed terá menos espaço para cortar juros devido à incerteza econômica do conflito. Domesticamente, o impacto na balança comercial brasileira é incerto, mas a indústria petrolífera pode se beneficiar do aumento dos preços e exportações de petróleo, enquanto exportações de alimentos para o Oriente Médio podem enfrentar dificuldades. Além disso, o real pode refletir incertezas sobre a fragilidade fiscal e a ansiedade eleitoral. Apesar do diferencial de juros e do enfraquecimento global do dólar, estimamos que o dólar chegue a R$ 5,55 no fim de 2026.
Pontos de Atenção:
Como vetores de apreciação do real brasileiro frente ao dólar, diferencial de juros ainda elevado, apesar dos cortes na taxa Selic, possibilidade aumento das exportações, por conta do aumento do preço do petróleo.
Como vetores de depreciação do real brasileiro frente ao dólar, riscos geopolíticos podem afetar crescimento global, o Fed poderá cortar menos juros, dúvida quanto à fraca e lenta consolidação fiscal doméstica diante de incerteza eleitoral.
Vemos o dólar voltando a 5,55 em 2026
Projeção do dólar (BRL/USD)






















