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27 março 2026 17:02 RaboResearch

O mercado de café permanece volátil devido à realização de lucros dos fundos, exportações fracas, consumo interno menor e baixos estoques.

Intro

Oferta crescente e estoques enxutos mantêm o mercado instável

Nos últimos meses, o mercado cafeeiro tem apresentado elevada volatilidade, refletida diariamente nas bolsas. Diversos fatores têm contribuído para esse comportamento: movimentos de realização de lucros por parte dos fundos, exportações inferiores aos níveis do ano anterior, real mais valorizado frente ao dólar, a queda no consumo interno de café no Brasil e a safra brasileira com expectativa de um volume expressivo. Esses elementos, combinados, têm exercido pressão baixista sobre os preços da commodity.

As condições climáticas favoráveis sustentam boas expectativas quanto ao volume e ao rendimento da safra de café. Esse ambiente reforça expectativas de maior estabilidade no abastecimento e adiciona importantes sinais ao mercado, que já começa a precificar uma safra potencialmente mais robusta.

Segundo o USDA, o estoque mundial de café encontra-se em 20,1 milhões de sacas, o menor nível dos últimos cinco anos. Esse patamar historicamente baixo, aumenta a sensibilidade do mercado e tende a manter a volatilidade nos preços até que haja uma recomposição dos estoques, o que deve ocorrer com a chegada da safra 2026/27, especialmente diante das boas perspectivas produtivas para o Brasil e Vietnã.

No ambiente macroeconômico, a recente elevação do preço do barril de petróleo, decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã, adiciona um grau relevante de incerteza quanto ao possível repasse aos preços de fertilizantes, como ureia e MAP. Até o momento, não há visibilidade suficiente para estimar se, e em que magnitude, essa volatilidade poderá afetar esses insumos.

No consumo interno, a ABIC reportou queda de 2,3% na demanda brasileira em 2025, totalizando 21,4 milhões de sacas. Esse recuo reflete o comportamento do consumidor diante dos preços mais altos praticados no varejo.

Em resumo, o conjunto de indicadores de oferta, demanda e comércio exterior aponta para a manutenção de um viés baixista no curto prazo. A combinação de uma safra potencialmente volumosa, menor ritmo das exportações e retração no consumo interno tende a manter os preços sob pressão, ainda que os estoques globais reduzidos e a menor disposição dos produtores para negociar possam gerar episódios pontuais de volatilidade. Nesse contexto, o mercado deverá seguir acompanhando atentamente a evolução das condições climáticas, os movimentos dos agentes financeiros e o comportamento cambial, elementos determinantes para a trajetória dos preços ao longo dos próximos meses.

Pontos de Atenção:

    Muitos produtores rurais estão capitalizados, o que reduz a oferta de café disponível no mercado físico. Com os preços mais baixos, há menor disposição para fechar negócios, já que os produtores esperam repiques de alta para comercializar seus lotes. Contudo, considerando o cenário de safra volumosa e provável recomposição dos estoques globais, o mercado apresenta tendência baixista.

    Dados do Cecafé mostram uma queda de 23,5% nas exportações brasileiras em relação a fevereiro do ano anterior. Esse desempenho reforça o viés baixista nos preços atuais. Os principais destinos continuam sendo países europeus, com Alemanha na liderança.

Preços instáveis com oferta crescente e estoques enxutos

Preços de café no Brasil Março 2023 – Março 2026

Café
Fonte: Cepea, Bloomberg 2026

Exportação de café - Brasil 2024 – 2026

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Fonte: Cecafé, Rabobank 2026
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Março 2026

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