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Milho
Nos próximos meses, a evolução da safrinha brasileira, a definição da área de milho nos Estados Unidos e o comportamento dos custos de frete, internos e marítimos, serão decisivos para a formação dos preços locais.

Preços em alta e logística mais cara no horizonte
Durante março de 2026, os preços do milho no mercado interno registraram alta de 4% em relação ao mês anterior. Esse movimento foi impulsionado por três fatores principais: a maior incerteza climática sobre a safrinha no Brasil, a redução prevista da área de milho nos Estados Unidos para a safra 2026/27 e a expectativa de fortalecimento da demanda doméstica, apoiada pela expansão das usinas de etanol de milho.
Para a temporada 2025/26, o RaboResearch projeta produção nacional de 137 milhões de toneladas, sendo 27 milhões do milho verão e 110 milhões do milho safrinha, cerca de 5 milhões de toneladas abaixo do ciclo anterior. Embora se espere leve aumento da área plantada, a produtividade deve recuar após os resultados elevados da última safra, sobretudo nas principais regiões produtoras de milho safrinha.
No cenário internacional, as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm elevado os preços do petróleo nos últimos meses. O encarecimento do petróleo pressiona o custo do diesel e, consequentemente, do frete interno no Brasil. A alta dos custos logísticos, somada às longas distâncias entre regiões produtoras e portos, pode limitar o ritmo das exportações brasileiras de milho em 2026.
Nesse contexto, o mercado doméstico tende a ganhar competitividade relativa, por ser menos sensível ao encarecimento do transporte do que o mercado externo. Como resultado, espera-se que o consumo de milho destinado ao etanol alcance um novo recorde de 27 milhões de toneladas, 4 milhões acima do registrado em 2024/25.
Embora este seja um período de menor representatividade sazonal das exportações, o aumento dos custos de transporte pode reduzir o preço ofertado ao produtor por tradings e cooperativas. Ainda assim, considerando a atual sazonalidade do mercado exportador, o recente aumento das tarifas de frete interno relacionadas ao conflito não deve alterar de forma relevante o fluxo de embarques. No momento, projeta-se que as exportações recuem para 41 milhões de toneladas.
Segundo o IMEA, a comercialização do milho em Mato Grosso atingiu 36%, três pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025. A valorização dos preços no primeiro trimestre contribuiu para acelerar as vendas. Nos próximos meses, a evolução da safrinha brasileira, a decisão dos produtores norte‑americanos sobre a área destinada ao milho e o comportamento dos custos de frete, tanto interno quanto marítimo, serão determinantes para a formação dos preços.
Pontos de Atenção:
No ano passado, o Irã respondeu por 20% das exportações brasileiras de milho. Caso o conflito se prolongue até o segundo semestre, uma eventual redução das compras iranianas pode levar os exportadores a buscar novos mercados para compensar a perda de demanda.
Dada a importância do setor de frangos para o consumo de milho destinado à ração animal, e considerando que o Oriente Médio responde por cerca de 19% das exportações brasileiras de carne de frango, uma eventual retração nesses embarques pode limitar a demanda de milho por esse segmento.
Demanda interna sustenta preços locais
Preços em Chicago vs. Campinas, março 2024 - março 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2017/18 – 2025/26e






















