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Milho - Perspectivas 2027

5 novembro 2026 12:00 RaboResearch

A expansão do etanol de milho vem transformando o balanço doméstico, absorvendo uma parcela crescente da produção e reduzindo os excedentes disponíveis para exportação. Em 2026/27, a continuidade desse avanço deverá intensificar a competição pelo cereal. A valorização do real neutralizou a alta das cotações em Chicago e reduziu a competitividade das exportações brasileiras. Em 2027, o câmbio seguirá determinante para a formação dos preços domésticos. Mesmo com uma produção novamente elevada em 2026/27, o avanço do consumo doméstico e a recuperação das exportações deverão reduzir os estoques finais, deixando o balanço brasileiro mais ajustado e limitando pressões baixistas sobre os preços.

Intro

O protagonismo do mercado interno

Após mais uma safra robusta, o mercado brasileiro de milho deverá encerrar 2026 marcado pelo contraste entre uma oferta elevada e uma demanda doméstica ainda mais aquecida. A produção da safra 2025/26 deverá representar a segunda maior da história, sustentada pela expansão da área plantada e por bons níveis de produtividade. Ainda assim, o aumento da disponibilidade interna não deverá se traduzir em maior participação do Brasil no comércio internacional, uma vez que uma parcela crescente da produção vem sendo direcionada ao mercado doméstico.

O principal fator por trás desse movimento é a expansão do consumo interno. Em 2026, a demanda brasileira por milho deverá atingir um novo recorde, impulsionada pelo crescimento do setor de proteína animal, especialmente aves e suínos, e, sobretudo, pela rápida expansão da indústria de etanol de milho. Em relação a 2025, o consumo nesses dois segmentos deverá crescer aproximadamente 2% e 18%, respectivamente. Com isso, somente a indústria de etanol deverá absorver cerca de 19% de toda a produção brasileira de milho, ampliando sua relevância no balanço doméstico e intensificando a competição pelo cereal.

Apesar da demanda doméstica aquecida, esse movimento não foi suficiente para sustentar os preços internos. Ao mesmo tempo, a maior absorção de milho no mercado doméstico reduziu a disponibilidade para exportação e limitou a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

As exportações deverão alcançar cerca de 36 milhões de toneladas em 2026, queda de aproximadamente 12% em relação ao ano anterior. Além da maior absorção interna, as safras recordes dos Estados Unidos e da Argentina na temporada 2025/26 intensificaram a concorrência internacional.

Somada à apreciação do real frente ao dólar, a maior disponibilidade nesses países limitou a competitividade do produto brasileiro nos principais mercados importadores.

Enquanto o Brasil perdeu espaço nas exportações, os Estados Unidos registraram volumes recordes de embarques na temporada 2025/26, contribuindo para a sustentação das cotações em Chicago. Entre janeiro e outubro, os preços do milho na CBOT avançaram cerca de 4%. Para o produtor brasileiro, entretanto, o movimento cambial neutralizou esse ganho. Com a valorização do real, as cotações internacionais convertidas para a moeda brasileira recuaram aproximadamente 7% no mesmo período, reforçando a importância do câmbio na transmissão dos preços externos ao mercado local.

Para 2027, a expansão estrutural da demanda doméstica deverá continuar desempenhando papel central no balanço brasileiro de milho e na formação dos excedentes disponíveis para exportação. O avanço da indústria de etanol adiciona uma fonte de consumo cada vez mais relevante à cadeia e reforça a importância da segunda safra para atender à crescente demanda pelo cereal. Nesse contexto, o desempenho da produção, particularmente do milho safrinha, será determinante para o grau de aperto do balanço doméstico.

Para a safra 2026/27, o RaboResearch projeta produção total de 141 milhões de toneladas, sendo 32 milhões de toneladas de milho verão e 109 milhões de toneladas de milho safrinha. A área destinada à segunda safra de milho deverá avançar cerca de 3%. Esse movimento deverá ser sustentado pela crescente contribuição do milho safrinha para a receita anual dos produtores, aumentando o incentivo à intensificação do uso da terra após a colheita da soja.

Por outro lado, após dois anos consecutivos de produtividades em patamares historicamente elevados, a expectativa é de normalização dos rendimentos em 2026/27. Dessa forma, parte do efeito positivo da expansão da área deverá ser compensada por produtividades mais próximas da tendência. Ainda assim, a produção deverá permanecer elevada, reforçando a importância da segunda safra para acomodar o crescimento do consumo doméstico e das exportações.

Do lado da demanda, o mercado interno deverá permanecer como um dos principais vetores da cadeia brasileira de milho em 2026/27. O consumo destinado à alimentação animal deverá crescer novamente cerca de 2% em relação a 2026, acompanhando a expansão da produção de proteína animal. O principal impulso, entretanto, deverá continuar vindo da indústria de etanol de milho, cujo consumo do cereal deverá aumentar aproximadamente 18%, alcançando 32 milhões de toneladas. Esse avanço consolida a participação crescente dos biocombustíveis na absorção da oferta e altera a dinâmica de formação dos excedentes exportáveis.

Ao mesmo tempo, as exportações deverão apresentar alguma recuperação, alcançando aproximadamente 38 milhões de toneladas, ante os 36 milhões de toneladas esperados para 2026. A retomada dos embarques, combinada ao avanço do consumo doméstico, deverá absorver parcela relevante da oferta disponível. domésticos.

Mesmo diante de uma produção elevada, o balanço brasileiro tende a ficar mais ajustado em 2027, reduzindo os estoques finais e limitando pressões baixistas sobre os preços.

No mercado global, a perspectiva de um balanço também mais ajustado poderá oferecer suporte adicional às cotações. Segundo as projeções do USDA consideradas neste cenário, a redução da produção norte-americana deverá contribuir para menores estoques globais de milho e para uma queda da relação estoque/uso. Esse ambiente tende a restringir o espaço para uma correção mais acentuada dos preços internacionais.

Nesse contexto, o clima deverá permanecer como um dos principais fatores de volatilidade em 2027, especialmente diante dos riscos associados a um eventual El Niño e de seus possíveis efeitos sobre importantes regiões produtoras. Ao mesmo tempo, as incertezas geopolíticas e seus impactos sobre energia, moedas e comércio internacional deverão continuar influenciando as cotações.

Para o produtor brasileiro, o comportamento do câmbio continuará sendo determinante para a transmissão dos preços internacionais ao mercado doméstico. Assim, 2027 deverá combinar demanda interna estruturalmente mais forte, estoques mais ajustados e maior dependência do desempenho da segunda safra, oferecendo algum suporte aos preços, mas mantendo elevada a exposição a riscos climáticos e macroeconômicos.

Pontos de Atenção:

    Segundo o IMEA, até meados de outubro, a comercialização do milho safrinha 2026/27 em Mato Grosso alcançou 20%, em linha com a média dos últimos cinco anos. As incertezas em relação ao clima podem ter limitado o avanço das vendas, levando os produtores a adotar uma postura mais cautelosa na comercialização.

    O plantio do milho verão atingiu 40% da área prevista na primeira quinzena de outubro, em linha com a média dos últimos cinco anos. Nos estados da Região Sul, os trabalhos já ultrapassaram 80%, enquanto São Paulo, Minas Gerais e Goiás deverão apresentar maior avanço nas próximas semanas.

Oferta/demanda global de milho

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, DERAL, IBGE, Cargonave, Bloomberg, Rabobank

Produção de milho no Brasil

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, DERAL, IBGE, Cargonave, Bloomberg, Rabobank

Consumo interno e exportações brasileiras de milho

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, DERAL, IBGE, Cargonave, Bloomberg, Rabobank

Preço de milho em Campinas vs. CBOT

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, DERAL, IBGE, Cargonave, Bloomberg, Rabobank

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