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Algodão - Perspectivas 2027

5 novembro 2026 12:00 RaboResearch

Recordes consecutivos de produção e exportação reforçam a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional. Ganhos de produtividade, custos competitivos e maior disponibilidade de pluma ao longo do ano sustentam a expansão do Brasil no comércio global. Para 2026/27, a recuperação moderada da área e a continuidade dos ganhos de produtividade deverão manter a produção brasileira próxima ao recorde. O alto custo do crédito e a alavancagem dos produtores, entretanto, deverão limitar uma expansão mais expressiva da área. Em 2026/27, a redução da produção e dos estoques globais deverá tornar o balanço mundial mais ajustado, oferecendo suporte às cotações. A demanda relativamente estável, entretanto, deverá limitar movimentos mais expressivos de alta.

Intro

Brasil amplia protagonismo no algodão

O Brasil segue fortalecendo sua posição entre os principais produtores e exportadores globais de algodão. Na safra 2025/26, o país alcançou o quarto recorde consecutivo de produção de pluma, mesmo com uma redução de 3% da área plantada em relação ao ciclo anterior. O desempenho foi sustentado por produtividades acima do esperado, que mais do que compensaram a menor área cultivada e elevaram a produção para um novo recorde, estimado em 4,1 milhões de toneladas. O resultado reforça a crescente importância dos ganhos de produtividade como principal motor da expansão da cotonicultura brasileira.

A maior disponibilidade de pluma também impulsionou os embarques ao exterior. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações brasileiras totalizaram aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, volume 19% superior ao da safra anterior e um novo recorde para o setor. Com o crescimento da oferta doméstica, o mercado internacional tornou-se cada vez mais relevante para absorver o excedente produtivo, contribuindo para ampliar a participação do Brasil no comércio global da fibra e consolidar o país entre os principais fornecedores mundiais.

Além do aumento da produção, fatores estruturais seguem sustentando a competitividade da pluma brasileira. A expansão da oferta ao longo dos últimos anos elevou a disponibilidade do produto durante todo o ano, proporcionando maior previsibilidade de fornecimento aos compradores internacionais. Paralelamente, o baixo custo de produção por libra-peso permanece como uma vantagem importante frente a outros grandes exportadores. Esse conjunto de fatores tem contribuído para a diversificação dos mercados de destino e para o fortalecimento da presença brasileira em diferentes regiões consumidoras, aumentando a capacidade do país de competir de forma mais consistente no mercado internacional.

Pelo lado da demanda, o ambiente geopolítico ganhou relevância para a dinâmica do mercado global de fibras. A volatilidade dos preços de energia, especialmente do petróleo, afeta os custos das matérias-primas utilizadas na produção de fibras sintéticas e tende a favorecer, na margem, a competitividade relativa das fibras naturais. Apesar disso, o consumo global de algodão permanece relativamente estável, limitando uma recuperação mais expressiva da demanda mundial e, consequentemente, o potencial de valorização sustentada dos preços internacionais.

No mercado internacional, os contratos de algodão negociados em Nova York registraram recuperação ao longo de 2026, após um período de maior pressão sobre as cotações. A melhora dos preços contribuiu para a recomposição gradual das margens dos produtores brasileiros e permitiu níveis de comercialização mais atrativos do que os observados na safra anterior. Mesmo diante do aumento dos custos de produção, esse cenário reforçou os incentivos econômicos para a expansão da cultura. Em Mato Grosso, principal estado produtor, a comercialização da safra alcançou 43%, segundo o IMEA, volume 11 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Diante desse contexto, o RaboResearch projeta uma recuperação moderada da área plantada na safra 2026/27. A área cultivada deverá atingir 2,1 milhões de hectares, crescimento de 3,5% em relação ao ciclo anterior e retorno a níveis próximos aos observados em 2024/25. Considerando a continuidade dos avanços de produtividade, a produção brasileira deverá permanecer próxima ao recorde atual, alcançando novamente cerca de 4,1 milhões de toneladas. O clima, entretanto, deverá assumir papel central na safra 2026/27, diante da possibilidade de ocorrência do El Niño e de seus potenciais impactos sobre a produtividade.

Ainda assim, mesmo com a recuperação esperada da área, não se espera a retomada do forte ciclo de expansão observado nos últimos anos. O elevado nível de alavancagem dos produtores, aliado ao alto custo do crédito, deve continuar limitando novos investimentos e incentivando uma postura mais cautelosa em relação a uma ampliação estrutural da área cultivada. Nesse contexto, os ganhos de produtividade deverão permanecer como componente importante para sustentar o crescimento da produção brasileira, enquanto a expansão de área tende a ocorrer de maneira mais moderada.

Os dados iniciais da temporada também indicam continuidade do crescimento das exportações. Os embarques acumulados entre agosto e setembro de 2026 avançaram 16% em comparação com o mesmo período do ano anterior, sinalizando que o Brasil deverá superar ligeiramente o recorde registrado na safra passada. O RaboResearch estima exportações de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, reforçando a importância do mercado internacional para o escoamento da crescente disponibilidade doméstica de pluma.

No cenário global, o balanço de oferta e demanda tende a se tornar mais apertado em 2026/27. Segundo o USDA, a produção mundial deverá recuar 3% em relação à safra anterior, mesmo com a estabilidade da área plantada, refletindo principalmente menores produtividades em importantes países produtores, como China, Estados Unidos e Austrália.

As exportações dos Estados Unidos deverão permanecer próximas à média dos últimos cinco anos, podendo ser favorecidas pelas relações comerciais com a China.

Com a redução da oferta mundial, os estoques finais globais são projetados em 15,4 milhões de toneladas, abaixo dos 16,5 milhões de toneladas estimados para 2025/26. Como resultado, a relação estoque/consumo deverá cair de 63% para 57%, sinalizando menor disponibilidade de pluma e um mercado internacional menos confortável do que o observado na temporada anterior. A combinação entre menor produção e redução dos estoques tende, portanto, a oferecer maior sustentação às cotações, embora a intensidade desse movimento continue condicionada à evolução da demanda mundial.

Ainda assim, o ambiente de preços permanece sujeito a elevado grau de incerteza. A persistente volatilidade geopolítica, os elevados custos de energia, os riscos climáticos e o aumento da participação de fundos financeiros em commodities agrícolas vêm adicionando um prêmio de risco às cotações. Embora a redução dos estoques deva oferecer suporte ao mercado, a demanda global relativamente estável limita movimentos mais expressivos de alta. Dessa forma, o equilíbrio de preços em Nova York tende a permanecer acima dos níveis observados no ano passado, mas abaixo dos picos registrados em 2026, quando os contratos chegaram a ultrapassar USc 90 por libra-peso.

Pontos de Atenção:

    O avanço da semeadura da soja em Mato Grosso para a safra 2026/27 deverá assegurar uma janela favorável para o plantio do algodão a partir de janeiro de 2027. No entanto, a atuação do fenômeno El Niño ainda adiciona incertezas ao desenvolvimento das lavouras brasileiras ao longo da temporada.

    O forte avanço das cotações da pluma em NY estimulou o produtor brasileiro a avançar na comercialização da safra 2026/27 até meados de outubro. Em Mato Grosso, segundo o Imea, 43% da produção esperada já foi comercializada, percentual 3 p.p. superior ao observado no ano passado e 11 p.p. acima da média dos últimos cinco anos.

Oferta/demanda global de algodão

20261102_Algodão 1
Fonte: USDA, IMEA, CONAB, Rabobank

Área e produção (pluma) de algodão no Brasil

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, Rabobank

Comercialização do algodão pluma - MT

20261102_Algodão 3
Fonte: USDA, IMEA, CONAB, Rabobank

Preço da pluma em MT vs. NY

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Fonte: USDA, IMEA, CONAB, Rabobank

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