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Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2027

5 novembro 2026 12:00

Macroeconomia

Passadas as eleições, o fiscal segue como a principal fonte de incerteza para a economia brasileira em 2027. As demandas sociais referendadas pelas urnas limitam um ajuste expressivo das despesas e mantêm pressionada a trajetória da dívida. Assim, a agenda fiscal do novo governo será determinante para a percepção de risco, com reflexos sobre câmbio, inflação e juros. Esperamos uma queda moderada da inflação, mas com riscos para baixo à tênue recuperação da atividade. Com o super El Niño no retrovisor, o Banco Central poderá retomar os cortes de juros, cuja extensão dependerá também da evolução das contas públicas.

Insumos

Custos elevados e pressão financeira marcam 2026. O conflito no Oriente Médio encarece adubos e pressiona as margens. Juros altos e dívidas limitam as compras, enquanto o atraso na oferta de nitrogênio aumenta o risco para a safrinha. As entregas de adubos devem cair 9,6%, para 44,4 milhões de toneladas. Nos defensivos, a concorrência e a falta de caixa pesam no setor.

Cana, Açúcar e Etanol

Chuvas atípicas no centro-sul ao longo da safra 2026/27 complicaram a colheita, prejudicando a produção de açúcar, que poderia ficar até 8% abaixo da safra anterior.

Café

A supersafra e o bom rendimento dos cafés no Brasil, devem contribuir para que o balanço global de café alcance 8,82 milhões de sacas em 2026/27, segundo estimativa do Rabobank.

Soja

A safra recorde foi acompanhada por uma demanda excepcionalmente forte, com exportações e processamento doméstico em máximas históricas. A menor presença dos EUA na China favoreceu os embarques brasileiros, enquanto margens atrativas sustentaram o ritmo elevado de esmagamento.

Milho

A expansão do etanol de milho vem transformando o balanço doméstico, absorvendo uma parcela crescente da produção e reduzindo os excedentes disponíveis para exportação. Em 2026/27, a continuidade desse avanço deverá intensificar a competição pelo cereal.

Algodão

Recordes consecutivos de produção e exportação reforçam a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional. Ganhos de produtividade, custos competitivos e maior disponibilidade de pluma ao longo do ano sustentam a expansão do Brasil no comércio global.

Proteína Animal

O mercado brasileiro de proteína animal deve manter trajetória de expansão em 2027, mas em um ambiente de maior necessidade de disciplina de oferta e gestão de margens. A menor disponibilidade de carne bovina deve sustentar preços e favorecer a substituição por carnes suína e de frango, enquanto custos de alimentação, clima e capacidade de repasse ao consumidor permanecem como fatores relevantes para a rentabilidade.

Suco de Laranja

Preços do suco e da fruta devem permanecer pressionados no curto prazo. Um novo superávit global, menor ao observado em 2025/26, é esperado em 2026/27, apesar da menor produção brasileira de laranja e suco na safra atual.

Leite

O ano de 2027 deve ser de maior equilíbrio para o setor de leite no Brasil, com crescimento contido da oferta e margens ainda favoráveis ao produtor. O principal risco está na demanda: endividamento recorde das famílias, inflação persistente e menor crescimento econômico podem limitar os volumes comercializados no varejo alimentar.

Celulose

O mercado de celulose entra em 2027 com perspectiva de recuperação moderada dos preços no início do ano, apoiada por custos mais elevados, estoques mais equilibrados e restrições de oferta. O movimento, porém, deve perder força a partir do 2º trimestre com a entrada de nova capacidade de fibra curta, especialmente na Indonésia.

Disclaimer

As informações e opiniões contidas neste documento são meramente indicativas e apenas para fins de discussão. Quaisquer transações descritas e/ou ideias comerciais contidas neste documento não poderão resultar em nenhum direito. Este documento é apenas para fins informativos e não constitui, nem deve ser interpretado como, uma oferta, convite ou recomendação. Ver mais