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Celulose - Perspectivas 2027

5 novembro 2026 12:00 RaboResearch

O mercado de celulose entra em 2027 com perspectiva de recuperação moderada dos preços no início do ano, apoiada por custos mais elevados, estoques mais equilibrados e restrições de oferta. O movimento, porém, deve perder força a partir do 2º trimestre com a entrada de nova capacidade de fibra curta, especialmente na Indonésia. O balanço de riscos para 2027 permanece pressionado pelo crescimento da oferta e pela fragilidade da demanda chinesa, com sobrecapacidade em papéis finos e cartão limitando o potencial de alta. Uma nova recuperação sazonal é esperada no fim do ano, mas a expectativa com a entrada de capacidade adicional em 2028 será relevante e pode limitar altas de preço no final de 2027.

Intro

Demanda fraca e aumento da capacidade limitam preços

O mercado global de celulose deve entrar em 2027 ainda marcado por excesso de capacidade, estoques acima do equilíbrio e demanda desigual entre os principais segmentos consumidores. A recuperação observada no segundo semestre de 2026 tende a se estender para o início do próximo ano, apoiada por estoques mais baixos na cadeia, recomposição sazonal das compras e custos crescentes de madeira, frete e químicos. No entanto, esse movimento não deve representar o início de um ciclo prolongado de alta.

Os estoques globais de celulose química dos principais países produtores recuaram para 42,3 dias de oferta, em base sazonalmente ajustada, em agosto de 2026. Apesar da melhora mensal, os estoques de fibra longa e curta permanecem acima dos níveis considerados equilibrados. Ao mesmo tempo, as remessas globais recuaram 3,7% na comparação anual, com quedas de 5,4% em BSK e 3,8% em BHK, refletindo a fraqueza das compras da China e de outros mercados relevantes.

Na China, principal destino da celulose de mercado, a demanda deve permanecer dividida. A produção de tissue deve crescer 3,7% em 2027 e continuar sendo o principal vetor de expansão do consumo de fibra. Em contraste, a produção chinesa de papéis de imprimir e escrever deve cair 1,1%, enquanto o excesso de capacidade em papéis finos e cartão deve limitar a capacidade dos produtores de repassar custos e sustentar preços mais altos de celulose.

Nesse contexto, esperamos uma recuperação moderada dos preços no primeiro trimestre de 2027, seguida por enfraquecimento ao longo do segundo e do terceiro trimestres. A nova capacidade da APP no complexo OKI, na Indonésia, deve adicionar cerca de 1,5 milhão de toneladas de celulose de fibra curta ao mercado em 2027, com entrada gradual a partir do primeiro trimestre.

Para a celulose de eucalipto entregue na China, a trajetória projetada indica preços próximos de USD 630/t no início de 2027, recuando para cerca de USD 570/t no meio do ano e voltando a se aproximar de USD 650/t no quarto trimestre. A média anual é estimada em aproximadamente USD 610/t, levemente acima da média de 2026 que projetamos em USD 590/t.

A celulose de fibra longa deve manter prêmio relevante sobre a fibra curta, embora o balanço ente oferta e demanda também permaneça confortável. O reinício da fábrica Howe Sound (Domtar), no Canadá, devolve cerca de 400 mil toneladas de NBSK ao mercado e reduz parte do aperto esperado após fechamentos recentes. Ainda assim, paradas econômicas na Europa e o fechamento de ativos de alto custo devem oferecer algum suporte. As margens continuarão sendo o principal mecanismo de ajuste da oferta. Os cortes de produção não programados devem permanecer elevados, após somarem cerca de 1,8 milhão de toneladas entre janeiro e outubro de 2026, quase o dobro do mesmo período de 2025. A pressão é mais intensa sobre produtores de fibra curta de maior custo, especialmente na Ásia e na Europa, onde custos de madeira, energia e logística reduzem a capacidade de operar de forma sustentável em períodos de preços baixos.

Esse cenário sugere que a oferta efetiva será menor do que a capacidade nominal, mas os cortes devem apenas limitar o excesso, e não eliminar o desequilíbrio. O risco de fechamentos permanentes aumenta caso os preços permaneçam próximos ou abaixo dos custos caixa por um período prolongado. Por outro lado, retomadas de fábricas anteriormente ameaçadas, como Howe Sound (Domtar), mostram que apoio governamental e condições regionais podem postergar a saída de capacidade e prolongar o processo de ajuste.

Do lado macroeconômico, o crescimento global deve continuar próximo de 3% em 2027, mas a China deve desacelerar seu crescimento de 4,6% para 4,4%. Estados Unidos e Europa devem manter crescimento moderado, mas ainda insuficiente para gerar forte expansão do consumo de papel. Além disso, juros elevados, incerteza geopolítica e custos logísticos representam riscos para a demanda, ao mesmo tempo em que podem elevar o piso de custos da indústria.

O cenário-base, portanto, é de elevada volatilidade em 2027. O primeiro trimestre deve ser mais construtivo, com preços apoiados por sazonalidade, estoques mais baixos na cadeia e restrições operacionais. A partir do segundo trimestre, a entrada da OKI deve ampliar a competição por mercado, especialmente na China e na América do Norte. Uma nova recuperação sazonal é esperada no final do ano, mas com potencial limitado pelo excesso de oferta e pela baixa rentabilidade dos produtores de papel.

Para o Brasil, o ambiente permanece relativamente favorável em termos de competitividade. Produtores brasileiros de fibra curta continuam posicionados na parte mais baixa da curva global de custos, beneficiados por produtividade florestal, escala e infraestrutura exportadora. A diversificação dos destinos deve continuar, com maior presença nos EUA e na Europa ajudando a compensar a menor expansão das importações chinesas e a competição crescente de produtores asiáticos.

No curto prazo, a principal expansão brasileira de grande porte permanece fora do balanço de 2027. O projeto Sucuriú, da Arauco, com capacidade de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas, tem início previsto para o quarto trimestre de 2027, mas seus volumes devem chegar de forma mais significativa ao mercado global apenas em 2028. A preparação logística e florestal do projeto já avança, enquanto investimentos da CMPC em infraestrutura reforçam o papel estrutural do Brasil no crescimento da oferta mundial no final da década.

Os riscos para a projeção são relevantes nos dois sentidos. Um agravamento das tensões geopolíticas, custos mais altos de energia, frete e madeira ou cortes de produção acima do esperado poderiam sustentar preços superiores ao cenário-base. Por outro lado, uma recuperação mais fraca da demanda chinesa, a partida mais rápida da OKI e a retomada de capacidade ociosa poderiam levar a celulose de fibra curta novamente para perto de USD 500/t.

Em resumo, 2027 deve ser um ano de transição, e não de recuperação estrutural. As margens pressionadas devem limitar a oferta efetiva e evitar uma queda mais acentuada dos preços, mas a nova capacidade asiática e o crescimento moderado da demanda devem restringir a duração dos ciclos de alta. Para os produtores brasileiros, a vantagem de custos e a diversificação comercial continuarão sendo os principais fatores de resiliência antes da próxima onda de expansão global em 2028.

Pontos de Atenção:

    A depreciação moderada do real tende a sustentar receitas em moeda local, embora custos de frete, químicos, manutenção e investimentos também devam subir. Com isso, o Brasil deve continuar ganhando participação nas exportações globais, mesmo em um ambiente de preços internacionais moderados.

    A procura por madeira deve continuar acirrada em 2027 com novos projetos no horizonte para 2028 no Brasil, o que pode levar a novos aumentos no preço da madeira em regiões estratégicas.

Preços internacionais BHKP

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Fonte: Risi Fastmarkets; Indústria Brasileira de Árvores; ABPO; Rabobank

Exportações brasileiras de celulose

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Fonte: Risi Fastmarkets; Indústria Brasileira de Árvores; ABPO; Rabobank

Vendas mensais de papelão ondulado no Brasil

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Fonte: Risi Fastmarkets; Indústria Brasileira de Árvores; ABPO; Rabobank

Desempenho da indústria do papel no Brasil

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Fonte: Risi Fastmarkets; Indústria Brasileira de Árvores; ABPO; Rabobank

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