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Café - Perspectivas 2027

5 novembro 2026 12:00 RaboResearch

A supersafra e o bom rendimento dos cafés no Brasil, devem contribuir para que o balanço global de café alcance 8,82 milhões de sacas em 2026/27, segundo estimativa do Rabobank. As exportações brasileiras de café para o ciclo 2026/27 (julho a junho) são projetadas entre 42 e 45 milhões de sacas. Esta aceleração reflete a recuperação da produção e o aumento dos estoques de passagem. Entre o final de 2026 e o início de 2027, os preços do café devem recuar, embora a volatilidade permaneça elevada. Esse cenário será influenciado pela lenta recuperação dos estoques, pelos riscos climáticos nas regiões produtoras associados ao El Niño, pelos efeitos das chuvas sobre a qualidade da safra 2026/2027 e pelo regulamento europeu (EUDR). Por outro lado, a expectativa de recuperação da oferta global e condições climáticas favoráveis até o momento no Brasil podem intensificar a pressão de baixa sobre os preços.

Intro

Safra em alta, recomposição dos estoques e qualidade no centro das atenções

Os mercados globais de café, tanto café arábica e robusta seguem altamente voláteis. Até agora em 2026, o preço do café arábica testou sua mínima na segunda semana do mês de junho, fechando em USD 2,44/lb, enquanto a máxima foi no final do mês de agosto cotado em USD 3,77/lb, atualmente o mercado está orbitando ao redor de USD 2,80/lb. Já no mercado de café robusta a mínima foi testada na terceira semana de setembro, onde atingiu USD 3.230/t e máxima no mês de janeiro onde chegou em USD 4.332/t , atualmente o preço se encontra ao redor de USD 3470/t.

Desde o início do ano, até o momento, o preço do café de ambas as espécies sofreram queda, o café arábica desvalorizou ao redor de 11%, enquanto que o café robusta diminuiu cerca de 15%. Para o próximo trimestre, há uma tendência de queda nos preços de ambas commodities, principalmente devido à grande safra brasileira e a chega de cafés no mercado de outras origens como o Vietnam. A previsão de preço para o próximo trimestre deve orbitar para o café arábica, algo entre USD2,70/lb a USD 2,90/lb e para o café conilon, algo entre USD 3500/t a USD 3700/t.

Os estoques historicamente baixos e a falta de qualidade da safra 2026/27 têm sustentado um viés altista no mercado e a recomposição dos estoques tem sido lenta e gradual o que tem causado grande volatilidade no mercado cafeeiro, para as duas espécies.

O ciclo da safra 2026/27 está finalizado e com isso estimamos 73,3 milhões de sacas, sendo 48,7 milhões de sacas de café arábica e 24,6 milhões de sacas para café conilon.

Em relação ao ciclo anterior, a produção de café arábica cresceu 27,8%, enquanto a de robusta recuou 3,9%.Para 2027/28, a expectativa é de redução na produção de arábica, refletindo a bianualidade negativa da cultura. A elevada produtividade registrada em 2026/27 tende a limitar o potencial produtivo no ciclo seguinte. Além disso, parte dos produtores deverá realizar podas para renovar as lavouras e sustentar a produtividade nos próximos anos.

Para o robusta, o cenário é diferente. A safra 2027/28 poderá ser favorecida pela bianualidade positiva. A menor produção observada em 2025/26, frente a 2024/25, abre espaço para uma recuperação do potencial produtivo. O desenvolvimento dos ramos para a próxima safra segue bastante favorável. Nas últimas semanas, as chuvas ocorreram de forma satisfatória em todo o cinturão produtivo. No entanto, o cenário ainda exige atenção. Há um longo período até a colheita do próximo ciclo, e a influência do El Niño pode favorecer episódios de veranicos e temperaturas elevadas. Essas condições representam um risco para o potencial produtivo da próxima safra.

A colheita do café arábica, por sua vez, registrou atrasos, em meio a volumes de chuva acima da média histórica de 15 anos em diversas cidades. Além de postergar a colheita, as precipitações provocaram a queda de cerejas maduras no solo. Como consequência, parte dos lotes apresentou perda de qualidade, aumentando a preocupação com a oferta de cafés de melhor padrão, como “fine cup” e “good cup”. Os impactos não foram generalizados, mas foram mais relevantes para produtores que dependiam exclusivamente do terreiro para a secagem do café.

Outro tema que deve voltar ao radar no final do ano é o EUDR. A regulamentação exige que o café destinado à União Europeia seja livre de desmatamento após 31 de dezembro de 2020 e cumpra requisitos de legalidade e rastreabilidade. A implementação está prevista para 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores e 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas.

O EUDR não deve gerar escassez global de café, mas pode reduzir a disponibilidade de produto documentalmente elegível para o mercado europeu, ampliando a segmentação entre cadeias preparadas para atender à regulamentação e aquelas voltadas a outros destinos. Para o Brasil, esse cenário pode representar mais uma oportunidade do que uma ameaça. O país já dispõe do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas será necessário integrar geolocalização, monitoramento de desmatamento, rastreabilidade e comprovação de legalidade. Como o Brasil foi classificado como país de risco padrão, segue sujeito à diligência devida completa.

No mercado externo, as exportações brasileiras permanecem próximas aos níveis de 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil embarcou 29,09 milhões de sacas, queda de 0,2% na comparação anual. Os negócios seguem lentos, com produtores capitalizados retendo oferta e compradores cautelosos diante da expectativa de maior disponibilidade global e preços mais baixos. Apesar da recuperação recente dos embarques, projetamos exportações próximas de 41 milhões de sacas em 2026. Para 2026/27 (jul-jun), estimamos 42 a 45 milhões de sacas, refletindo a maior disponibilidade da safra e estoques de passagem mais elevados.

Nos primeiros três meses da safra 2026/27, o Brasil exportou 11,21 milhões de sacas, alta de 15,5% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando os embarques somaram 9,70 milhões de sacas. O desempenho reforça a recuperação das exportações brasileiras neste início de safra.

No mercado doméstico, o consumo também apresenta sinais de recuperação. Segundo a ABIC, após a forte retração observada em 2025, em meio aos preços elevados decorrentes dos problemas de oferta global, o consumo brasileiro voltou a avançar em 2026. No segundo quadrimestre, as vendas de café no varejo cresceram 4,65% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando cerca de 7 milhões de sacas.

A redução dos preços ao consumidor contribui para esse movimento. Em setembro, o preço médio do café ficou em R$ 56,91/kg, ante R$ 65,29/kg em janeiro, queda de 14,7%. Na comparação com setembro de 2025, quando o preço era de R$ 64,75/kg, o recuo foi de 13,7%. Essa retração tende a favorecer o consumo ao aumentar o poder de compra e tornar o produto mais acessível.

No campo geopolítico, em julho os Estados Unidos anunciaram que o café brasileiro, em todas as suas formas, não será taxado. A medida reforça a importância do Brasil no comércio global de café e preserva a competitividade do produto nacional frente a outras origens. Além de manter a atratividade do café brasileiro em um de seus principais mercados consumidores, a decisão favorece a continuidade dos fluxos comerciais em um cenário de maior incerteza econômica e geopolítica.

Pontos de Atenção:

    O clima segue no foco do mercado cafeeiro, até o momento as condições hídricas estão favoráveis, mas é preciso atenção sobre os efeitos do El Niño ao longo do desenvolvimento dos grãos de café.

    As exigências de sustentabilidade e rastreabilidade deverão influenciar cada vez mais os fluxos comerciais em 2027/28.

Preços de café

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Observação: Ano safra brasileiro refere-se ao intervalo de julho a junho. Ano safra global refere-se ao intervalo de outubro a setembro. Fonte: Bloomberg, Cecafé, CEPEA, Rabobank

Exportações brasileiras de café

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Observação: Ano safra brasileiro refere-se ao intervalo de julho a junho. Ano safra global refere-se ao intervalo de outubro a setembro. Fonte: Bloomberg, Cecafé, CEPEA, Rabobank

Consumo brasileiro de café

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Observação: Ano safra brasileiro refere-se ao intervalo de julho a junho. Ano safra global refere-se ao intervalo de outubro a setembro. Fonte: Bloomberg, Cecafé, CEPEA, Rabobank

Balanço global de café

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Observação: Ano safra brasileiro refere-se ao intervalo de julho a junho. Ano safra global refere-se ao intervalo de outubro a setembro. Fonte: Bloomberg, Cecafé, CEPEA, Rabobank

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