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Insumos - Perspectivas 2027

5 novembro 2026 12:00 RaboResearch

Custos elevados e pressão financeira marcam 2026. O conflito no Oriente Médio encarece adubos e pressiona as margens. Juros altos e dívidas limitam as compras, enquanto o atraso na oferta de nitrogênio aumenta o risco para a safrinha. As entregas de adubos devem cair 9,6%, para 44,4 milhões de toneladas. Nos defensivos, a concorrência e a falta de caixa pesam no setor. Em 2027, a retomada depende da saúde financeira do produtor. As margens dos grãos se estabilizam, com melhora do ciclo prevista para 2027/28. Entregas de adubos devem somar 46,6 milhões de toneladas, e o mercado de defensivos deve atingir USD 20,9 bilhões. Os biológicos devem superar BRL 7 bilhões. Sementes seguem em recuperação, enquanto as vendas de máquinas continuam limitadas pela situação financeira.

Intro

Recuperação gradual em um ambiente ainda desafiador

O ano de 2026 deve encerrar com desafios que continuarão presentes em 2027. Os conflitos no Oriente Médio, iniciados em março, seguem sem perspectiva clara de solução e continuam afetando o mercado de fertilizantes, com reflexos nas margens operacionais das principais commodities agrícolas. Nesse contexto, a pressão sobre as margens permanece entre os principais desafios dos produtores rurais e deve persistir no próximo ano. Na avaliação do RaboResearch, 2026 representa mais uma etapa desse ciclo de margens pressionadas, enquanto 2027 deve trazer uma estabilização, ainda em um ambiente desafiador para a produção agrícola. O equilíbrio da situação financeira dos produtores, por sua vez, deverá beneficiar também os setores de insumos.

A média móvel de cinco anos das margens operacionais permite identificar com maior clareza os ciclos de rentabilidade da produção agrícola, ao suavizar as oscilações entre safras e evidenciar a trajetória das margens ao longo do período. No caso dos grãos, as margens apresentam sinais de estabilização desde a safra 2025/26, tendência que deve se manter na safra atual. A melhora das margens operacionais deve se refletir na média móvel de cinco anos ao final da safra 2027/28, podendo assim iniciar uma inversão neste ciclo.

Contudo, a melhora das margens ainda depende da superação de desafios importantes. A situação financeira da maioria dos produtores rurais permanece pressionada, sobretudo pelos elevados custos do serviço da dívida e pelas altas taxas de juros, que encarecem o custeio agrícola. Nesse contexto, a inadimplência continua atingindo níveis recordes mês após mês, contribuindo para elevar ainda mais os custos financeiros.

A pressão financeira constitui, portanto, o principal desafio para os produtores rurais no Brasil, somando-se aos altos custos de produção e dificultando a recuperação sinalizada para as margens.

Em 2026 é esperado que observemos elevação nos custos de produção das principais commodities acompanhadas pelo RaboResearch. Cana-de-açúcar, café e citrus devem apresentar um aumento modesto nos custos de produção, enquanto soja, milho e algodão devem apresentar uma alta maior nos custos de produção. O principal fato para este aumento é devido ao aumento nos custos com os fertilizantes.

Em 2026, o mercado brasileiro de fertilizantes passou de um cenário já estruturalmente altista para um período de forte volatilidade. A partir de março, quando a escalada do conflito no Oriente Médio, o fechamento e as interrupções no Estreito de Ormuz e, posteriormente, em rotas alternativas do Mar Vermelho restringiram o fluxo de ureia, gás natural, enxofre e outros insumos essenciais.

A elevada dependência brasileira da ureia produzida na região transmitiu rapidamente o choque aos preços. As cotações subiram até 815 USD/t antes de recuar com a destruição de demanda, a redução das compras indianas, a oferta chinesa e as expectativas de normalização da navegação. Ainda assim, novas escaladas geopolíticas mantiveram o mercado volátil.

Nos fosfatados, o conflito agravou um mercado que já estava restrito pela ausência da China, ao elevar os custos do enxofre e da amônia, levando o MAP a níveis próximos de 900 USD/t CFR Brasil e estimulando a substituição parcial por SSP e TSP. Mesmo com menor liquidez e alguma acomodação posterior, a oferta permaneceu apertada e os preços sustentados. O Cloreto de Potássio (KCl) foi menos afetado diretamente, mas sentiu o encarecimento dos fretes e, depois, a pressão baixista da ampla disponibilidade e da demanda mais fraca.

Assim, apesar da melhora gradual do poder de compra ao longo do segundo semestre, 2026 ficou marcado por custos elevados, compras mais cautelosas e atraso nas importações de nutrientes-chave como a ureia. Quando convertemos as importações de ureia e sulfato de amônio para nitrogênio, os valores até o final de setembro apontam para um atraso de 25% em relação a 2025, atraso este que dificilmente será compensado no restante de 2026, podendo resultar em um risco para a safrinha do milho e outras culturas que demandem estes adubos a partir de janeiro. Com relação a importação total, a expectativa do RaboResearch é de que o Brasil importe 43,5 milhões de toneladas em 2026, o que representará uma queda de 4,3% em relação a 2025.

Já com relação as entregas de fertilizantes, para 2026 a estimativa original já apontava para uma redução após a entrega de 2025 atingir o patamar recorde de 49,7 milhões de toneladas dada a situação financeira dos produtores. Contudo, ao longo do ano com a evolução dos conflitos, reduzimos nossa expectativa que hoje é de 44,4 milhões de toneladas de entrega em 2026, uma queda de 9,6% em relação ao ano anterior. Já para 2027, a expectativa é de que haja uma recuperação na demanda e tenhamos uma entrega total de cerca de 46,6 milhões de toneladas.

O setor de defensivos químicos e biológicos também continua sob o impacto da compressão das margens operacionais. Parte das empresas de defensivos químicos ainda enfrenta os efeitosda crise de estoques de 2024 e da queda subsequente das receitas, agravada pela situação financeira dos produtores. Embora as companhias adotem estratégias distintas para retomar o crescimento, o aumento da concorrência pelo produtor torna esse processo cada vez mais desafiador. Nesse ambiente, a maior oferta de produtos pós-patente por empresas chinesas dificulta a recuperação, pois oferece alternativas mais acessíveis aos produtores que buscam reduzir custos operacionais. De forma geral, o RaboResearch projeta mais um ano de expansão moderada no valor do mercado, que deve alcançar USD 20,4 bilhões em 2026, alta de 1% em relação a 2025. Para 2027, a expectativa é de avanço para USD 20,9 bilhões, em linha com uma recuperação gradual da demanda e ainda condicionada à capacidade financeira dos produtores.

No mercado de biológicos, a pressão financeira sobre os produtores rurais tem levado as empresas a consumir caixa para manter seus produtos competitivos e, assim, preservar o espaço conquistado nos últimos anos. Os dados de vendas do primeiro semestre de 2026, divulgados pela CropLife Brasil, são positivos e indicam crescimento de 4,2% no valor comercializado. Ainda assim, é necessário considerar que 73% das vendas de produtos biológicos se concentram no segundo semestre. Para 2026, o RaboResearch projeta que o mercado alcance cerca de BRL 6,7 bilhões e, em 2027, supere BRL 7 bilhões, condicionado à evolução da demanda e da capacidade financeira dos produtores, em um ambiente ainda marcado por margens operacionais pressionadas no campo.

Pontos de Atenção:

    Após um 2025 desafiador, o mercado de sementes segue se recuperando e deve apresentar melhoras em 2026 e seguir nesta direção em 2027.

    O setor de máquinas agrícolas segue sendo bastante desafiado pela situação financeira dos produtores. Com isto, os números de venda seguem bastante comprimidos e tendem a se manter assim em 2027.

Entrega de fertilizantes ao consumidor

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Fonte: Rabobank, ANDA, Sindiveg

Comparativo do custo de adubação por hectare

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Fonte: Rabobank, ANDA, Sindiveg

Evolução tamanho do mercado de defensivos

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Fonte: Rabobank, ANDA, Sindiveg

Evolução da margem operacional - soja/ milho

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Fonte: Rabobank, ANDA, Sindiveg

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