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Milho

26 agosto 2026 15:06 RaboResearch

Mesmo com a produção estável, o crescimento do consumo interno segue redefinindo a dinâmica do mercado brasileiro de milho.

Intro

A força da demanda doméstica

Para a safra 2025/26, a produção brasileira de milho deverá permanecer praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Em contrapartida, os indicadores de consumo doméstico continuam renovando recordes. A expansão das cadeias de aves e suínos segue impulsionando a demanda por ração, principal destino do grão no mercado interno. Nesse contexto, o RaboResearch estima que o consumo desse segmento alcance 72 milhões de toneladas em 2026, crescimento de quase 2% na comparação anual.

O avanço mais expressivo, contudo, continua vindo da indústria de etanol de milho. No primeiro semestre, o setor consumiu 12,5 milhões de toneladas do grão, volume 2 milhões de toneladas superior ao registrado no mesmo período de 2025. A expectativa é que, até o final do ano, a produção de etanol demande cerca de 27 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 20% da produção nacional. O avanço do etanol reforça uma mudança estrutural no mercado, com o consumo doméstico assumindo protagonismo cada vez maior na formação do balanço de oferta e demanda. Além disso, a nova dinâmica de preços entre o mercado doméstico e a paridade de exportação tende a reduzir a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, limitando os embarques ao longo de 2026.

Nesse cenário, projeta-se uma redução de cerca de 3 milhões de toneladas nas exportações em relação ao ano anterior. Os volumes embarcados no primeiro semestre já sinalizam essa desaceleração. Como resultado, os estoques finais deverão apresentar uma leve recuperação frente aos níveis observados em 2025.

Apesar dessa recomposição, o mercado permanece atento às perspectivas para a safra 2026/27. A possibilidade elevada de ocorrência do El Niño poderá atrasar o plantio da soja e, consequentemente, postergar a semeadura do milho safrinha. Somado ao crescimento esperado da demanda, especialmente por parte da indústria de etanol durante o primeiro semestre de 2027, esse cenário aumenta as incertezas em relação à disponibilidade futura do cereal.

Mesmo com o avanço acelerado da colheita da segunda safra, os preços do milho registraram resiliência. Segundo o Cepea, na região de Campinas, as cotações em agosto de 2026 ficaram 2% acima das observadas no mesmo período do ano anterior. Dessa forma, os preços deverão encontrar suporte nos próximos meses, refletindo tanto os riscos climáticos para a próxima safra quanto o crescimento estrutural da demanda doméstica.

Pontos de Atenção:

    A expectativa de um evento El Niño aumenta o risco de redução do calado em rios estratégicos para o transporte de grãos. Caso esse cenário se confirme, a capacidade logística do Arco Norte poderá ser comprometida, limitando os embarques de milho pela região.

    Além dos fatores domésticos, os recentes ataques russos à infraestrutura de transporte e armazenamento de grãos na Ucrânia adicionam um viés altista ao mercado. Ao aumentar a incerteza sobre a capacidade exportadora ucraniana, o conflito tende a reforçar o suporte às cotações do milho.

Riscos sustentam mercado de milho

Preços em Chicago vs. Campinas, agosto 2024 - agosto 2026

Fig 12
Fonte: Bloomberg 2026

Relação estoque/consumo mundial, 2018/19 – 2026/27e

Fig 13
Fonte: USDA 2026
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Agosto 2026

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