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Celulose
Recuperação de preços deve ganhar tração no quarto trimestre com estoques menores e cortes de produção em varias regiões.

Recuperação de preços gradativa deve continuar
O setor global de celulose entra na segunda metade de 2026 em um momento de transição. Apesar da desaceleração do crescimento chinês e da pressão competitiva decorrente da expansão da capacidade integrada na Ásia, os fundamentos de curto prazo para a celulose de fibra curta (BHKP/BEK) permanecem relativamente favoráveis. Do lado da oferta, o cenário tornou-se mais equilibrado do que o esperado no início do ano. Diversas paralisações, fechamentos de fábricas e reduções temporárias de produção retiraram volumes relevantes do mercado global. Segundo a Fastmarkets, mais de 2,2 milhões de toneladas de oferta de fibra curta deixaram de estar disponíveis em 2026 em razão de paradas de produção em fábricas, conversões de capacidade e interrupções operacionais.
Com relação ao consumo, o crescimento da demanda chinesa por celulose tende a ser mais moderado do que em ciclos anteriores, reflexo do avanço da integração local e da expansão da produção doméstica. Mesmo assim, o gigante asiático continua dependendo de importações de fibra curta virgem. Os custos de produção de celulose na China vêm aumentando em 2026 devido à elevação dos preços de cavacos de madeira, custos logísticos e impactos climáticos, o que contribui para sustentar a demanda por celulose de mercado importada no restante do ano.
Entre os segmentos de consumo, tissue e fluff continuam sendo os mercados mais promissores. O crescimento de produtos de higiene pessoal, especialmente para incontinência e tissue em mercados emergentes, é uma importante fonte de expansão da demanda por celulose no restante de 2026.
A situação da fibra longa (NBSK) é mais desafiadora. O segmento enfrenta excesso de estoques, demanda estruturalmente mais fraca e altos custos de madeira na Europa e América do Norte. Essa fragilidade favorece a substituição por fibra curta de eucalipto em diversas aplicações e reforça a competitividade dos produtores brasileiros. O diferencial de custos segue expressivo, com vantagem significativa da celulose brasileira sobre produtores do hemisfério norte.
No Brasil, o sentimento predominante entre os grandes produtores é de disciplina financeira. Empresas como Suzano, Klabin e Eldorado têm priorizado a geração de caixa, desalavancagem e captura de valor dos investimentos já realizados, enquanto demonstram cautela em relação ao anúncio de novos projetos. De qualquer forma, os projetos em andamento da Arauco (Mato Grosso do Sul) e CMPC (Rio Grande do Sul) mostram que a expansão de oferta com grandes projetos continua em andamento, porém não traz efeitos relevantes de oferta no curto prazo.
Pontos de Atenção:
A chegada do El Niño forte pode resultar em menor produtividade florestal no final de 2026 e alerta de secas extremas e enchentes em algumas regiões do Brasil.
Preços ainda sob pressão no terceiro trimestre
Exportações mensais de celulose 2023-2026

Preço da celulose de eucalipto na China 2023-2026




















