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Com cota de salvaguarda chinesa perto do limite, exportações em Julho registram forte queda de 17% no comparativo anual, interrompendo sete meses de altas seguidas.

Exportações seguem sob pressão, mas menor oferta sustenta preços
As exportações brasileiras de carne bovina registraram desempenho recorde no 1°S de 2026, tanto em volume quanto em faturamento, impulsionadas principalmente pelo movimento de antecipação da China e pela demanda ainda sustentada dos EUA. No entanto, o cenário para o 3°T tende a ser de mais cautela. Em julho, os embarques somaram cerca de 258 mil toneladas, queda de 17% em relação ao mês anterior e também na comparação anual, refletindo principalmente a redução de 48% nos volumes destinados à China. Com os embarques acumulados para o mercado chinês próximos de 857 mil toneladas no ano, aumenta a expectativa de esgotamento da cota disponível nos próximos meses, reduzindo o apetite de compra no 2°S de 2026.
A China segue como principal destino da carne bovina brasileira e continua sendo o principal sustentáculo das exportações. Em 2025, o país respondeu por cerca de 48% do volume exportado pelo Brasil, equivalente a aproximadamente 1,65 milhão de toneladas e USD 8,8 bilhões em receita. Apesar da relevância estratégica do mercado chinês, a proximidade do limite da cota tende a trazer maior volatilidade para os embarques e para os preços do boi gordo. Em 2026, o forte ritmo de exportações no início do ano antecipou a valorização do boi, com pico de preços concentrado em abril, diferente do padrão sazonal normalmente observado no quarto trimestre.
Além da desaceleração das compras chinesas, a suspensão temporária das exportações para a União Europeia a partir de setembro deve retirar cerca de 10 mil toneladas mensais do fluxo exportador. Embora o bloco europeu represente menor participação em volume, seu impacto sobre a rentabilidade é mais relevante por se tratar de um mercado de maior valor agregado. Por outro lado, os EUA seguem como segundo principal destino da carne bovina brasileira, com importações acumuladas próximas de 234 mil toneladas no ano, alta de 17% na comparação anual. Mercados como Chile, Japão e Coreia do Sul também permanecem como potenciais oportunidades para diversificação das exportações.
No mercado interno, a piora das perspectivas para as exportações já contribuiu para uma correção nos preços do boi gordo. A média de julho ficou próxima de BRL 335,5 por arroba, o segundo menor patamar mensal do ano. Ainda assim, o risco de uma queda mais acentuada permanece limitado pela oferta restrita de animais terminados. A menor entrada de bovinos em confinamento, a disponibilidade reduzida de reposição e a retenção de fêmeas para reprodução devem limitar a oferta de abate ao longo dos próximos meses. Dessa forma, apesar de um ambiente externo menos favorável, a oferta ajustada deve continuar sustentando os preços do boi gordo até o final do ano.
Pontos de Atenção:
Consolidação do período de retenção de fêmeas, menor oferta de boi magro e boi gordo devem limitar a oferta de abate até o final do ano, mantendo preços sustentados.
Queda nos embarques não reduz preço do boi gordo
Indicador de preços do boi gordo

Exportações brasileiras acumuladas de carne bovina




















