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26 agosto 2026 11:40 RaboResearch

Vemos o dólar a R$ 5,35 no fim de 2026, pressionado pela corrida eleitoral, riscos fiscais, geopolíticos e um Fed mais hawkish. O diferencial de juros ainda elevado e termos de troca mais favoráveis tendem a amortecer a depreciação do real.

Intro

A corrida eleitoral soma-se aos riscos geopolíticos

O cenário internacional segue marcado pelas tensões entre EUA e Irã e pelas incertezas sobre o Estreito de Ormuz, embora a resiliência das principais economias tenha limitado os impactos sobre a atividade e os mercados. Ainda assim, tarifas americanas elevadas, estoques reduzidos de derivados e juros globais em alta mantêm o cenário desafiador. Nos EUA, o crescimento deve manter-se ainda acima de 2% em 2026 e 2027. O Rabobank espera que o Fed mantenha as Fed funds entre 3,50%-3,75% até o fim de 2026, realizando dois cortes de 25 pb em 2027, para 3,00%-3,25% ao fim do ano.

No âmbito doméstico, os indicadores apontam para perda gradual de tração da atividade no 2T26. Na variação trimestral, vendas no varejo e serviços avançaram 0,4% t/t e a indústria subiu 0,3% t/t. O mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desemprego em 5,4% e rendimentos elevados, embora a criação de vagas mostre desaceleração. Mantemos a projeção de crescimento de 1,8% em 2026 e 2,2% em 2027, com a renda sustentando o consumo. Juros elevados e incertezas externas devem limitar uma expansão mais forte.

O cenário inflacionário segue desafiador, apesar da melhora recente. O IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,4% a/a em julho, pouco abaixo do teto da meta, com alívio dos preços de alimentos e dos bens industriais.

Em contrapartida, os preços administrados permaneceram pressionados pela energia elétrica, enquanto a inflação de serviços segue elevada, refletindo o mercado de trabalho aquecido. Assim, o processo de desinflação continua gradual e exige cautela. Mantemos nossa projeção de IPCA em 5,1% ao fim de 2026 e 4,1% ao fim de 2027.

O Copom reduziu a Selic em 25 p.b. em agosto, para 14,00%, em linha com o esperado, mas adotou comunicação cautelosa diante da elevada incerteza e do balanço de riscos assimétrico para cima. Sem fornecer forward guidance, o Comitê condicionou os próximos passos à evolução dos dados. Mantemos a expectativa de interrupção dos cortes, com a Selic em 14,00% no fim de 2026, e retomada da flexibilização em abril de 2027, encerrando 2027 em 12,50%.

O real segue amparado pelo diferencial de juros e pelos fundamentos externos, mas enfrenta pressões do dólar mais forte, da piora dos termos de troca e da elevada incerteza geopolítica. No âmbito doméstico, a corrida eleitoral e as dúvidas sobre o ajuste fiscal elevam o prêmio de risco e a volatilidade. Mantemos projeção de R$ 5,35/US$ no fim de 2026 e R$ 5,30/US$ em 2027, com riscos de depreciação diante de eventual deterioração eleitoral/fiscal ou reversão do ambiente externo.

Pontos de Atenção:

    Como vetores de apreciação do real brasileiro frente ao dólar, se destacam o diferencial de juros ainda elevado e melhora nos termos de troca por conta do aumento do preço do petróleo.

    Como vetores de depreciação do real brasileiro frente ao dólar, se destacam os riscos geopolíticos que podem afetar o crescimento global, uma visão mais “hawk” do Fed, dúvida quanto à fraca e lenta consolidação fiscal doméstica diante de incerteza eleitoral.

Vemos o dólar voltando a 5,35 em 2026

Projeção do dólar (BRL/USD)

Fig 1
Fonte: Rabobank, Bloomberg
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Agosto 2026

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