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Algodão

26 agosto 2026 15:07 RaboResearch

Brasil consolida liderança global nas exportações de algodão em meio à perspectiva de menor oferta mundial.

Intro

Oferta brasileira sustenta liderança nas exportações de pluma

Ao analisar as exportações brasileiras de algodão em pluma no período de agosto de 2025 a julho de 2026, os números impressionam. Pela primeira vez, o Brasil embarcou 3,4 milhões de toneladas, volume 19% superior ao registrado na safra anterior. Esse resultado reflete a expansão contínua da cotonicultura nacional em um contexto no qual importantes concorrentes enfrentaram adversidades climáticas e reduziram sua disponibilidade para exportação. Como consequência, o país consolidou sua posição como o maior exportador mundial da fibra.

O desempenho histórico observado no mercado externo é sustentado por mais uma temporada de elevada oferta. Embora as atenções já se voltem para os riscos climáticos associados à possível ocorrência de um evento El Niño em 2026/27, as perspectivas para a safra 2025/26 seguem bastante favoráveis. Com o avanço da colheita, fortalece-se a expectativa de uma produção robusta no Brasil, com resultados semelhantes aos registrados na temporada anterior. A Bahia, contudo, merece destaque, com potencial para alcançar um novo recorde de produção de pluma. Em âmbito nacional, a safra é estimada em cerca de 4,0 milhões de toneladas, patamar próximo ao observado em 2024/25, ano que marcou o maior volume já produzido pela cotonicultura brasileira.

No cenário internacional, as perspectivas apontam para uma redução na disponibilidade de algodão. De acordo com o USDA, China e Austrália deverão registrar queda na produção em decorrência de condições climáticas menos favoráveis. A China merece atenção especial por seu papel estratégico no mercado mundial, uma vez que figura simultaneamente como a maior produtora, consumidora e uma das principais importadoras da fibra. Nesse contexto, a produção global deverá recuar cerca de 4% em relação ao ciclo anterior, contribuindo para uma redução estimada de 7% nos estoques mundiais.

As expectativas de oferta mais restrita já começam a ser incorporadas aos preços internacionais. Em agosto, os contratos futuros de algodão negociados na Bolsa de Nova York acumularam valorização de 6% em relação a julho de 2026. No mercado doméstico, o movimento foi semelhante, com os preços da pluma no Mato Grosso avançando 4% no mesmo período. O fortalecimento das cotações estimulou os produtores brasileiros a acelerar a comercialização da safra. Segundo o IMEA, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 74% da produção estimada, avanço de 8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Para a safra 2026/27, o percentual comercializado atingiu 32%, posicionando-se 10 pontos percentuais acima do registrado na mesma época da temporada passada.

Pontos de Atenção:

    Apesar de as condições das lavouras nos Estados Unidos estarem abaixo das observadas no ano passado, espera-se uma menor taxa de abandono das áreas cultivadas, sustentada pela melhora dos preços em Nova York.

    Embora o USDA projete um aumento de 1,7% no consumo global de pluma, o RaboResearch avalia que a demanda mundial poderá se manter estável, refletindo a persistência de desafios macroeconômicos que continuam limitando o crescimento do consumo.

Compressão dos estoques globais da pluma

Preço em Nova Iorque (NY) vs. Mato Grosso, junho 2024 – junho 2026

Fig 14
Fonte: Bloomberg

Relação estoque/consumo mundial, 2018/19 – 2026/27e

Fig 15
Fonte: USDA
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Este artigo faz parte de: Rabobank Agroinfo Agosto 2026

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